terça-feira, 26 de agosto de 2008

Felicidade


A felicidade é uma sensação que sentimos, uma sensação boa, prazerosa. Porém qual o motivo de nos sentirmos felizes e o que traz a felicidade? A única maneira de responder essas perguntas é analisar a formação do homem.

Sabemos que os prazeres que sentimos estão diretamente relacionados com nossas necessidades, ou seja, sentimos prazer nas coisas que eram e são importantes para sobrevivência individual ou coletiva da espécie.

Nos sentimos felizes quando temos capacidade de satisfazer os nossos prazeres, estes estão relacionados com as necessidades individuais e sociais da nossa espécie, comer é um prazer, essencial para a sobrevivencia de cada um, assim como o prazer pelo sexo é essencial para a sobrevivencia da espécie.

Ao mesmo tempo que precisamos estar livres do outros individuos, porque isso diminui a concorrencia pelos prazeres, também é importante gostarmos de estar com os outros e sermos aceitos pelos outros.

Isso fica claro ao analisar qualquer grupo, ao mesmo tempo que dentro do grupo existe uma briga, que é chamada de uma disputa intra-especifica, que é interresante para o grupo porque esta briga elimina os “fracos” (menos adaptados) e os “fortes” (mais adaptados) sobrevivem, logo aumentando a força do grupo. Porém, quando esse grupo entra em guerra com outro grupo, é interressante que ocorra uma união e a disputa interna fique para trás. Logo, se conclui que ambos são importantes.

Todos procuram ambos: aceitação e liberdade, porque ambos são importantes para a sobrevivencia, e ambos estão ligados com o conceito de felicidade. Ou seja, precisamos de dinheiro e poder, porém precisamos de "amor" (união) também. Ambos são importantes e ambos trazem felicidade, por isso que acho que a busca correta, não é escolher um dos dois e sim ter o equilibrio.


A felicidade e os prazeres é uma maneira autonoma, “criada” pela natureza, para fazer com que os individuos repetissem uma ação, e como um método de comunicação, quando sentimos dor, normalmente gritamos, e quando sofremos choramos, isso são maneiras de alertar o grupo. Assim como a felicidade é uma maneira de verificar se o individuo é “bem adaptado” (individualmente e socialmente), logo é uma característica de selecionar parceiros, quando procuramos um parceiro tanto na amizade como sexualmente falando, procuramos alguem que seja feliz, que irá nos trazer felicidade, porque os tristes, depremidos não são interessantes, a não ser que nos acompanhem na amargura.

Assim como o livre-arbitrio, ocorre uma tendencia de ir contra as explicações baseadas na ciencia para explicar os nossos sentimentos, porém a proposta não é falar algo bonito, poético e sim explicar como funciona, quais são os momentos mais prazerosos na vida de alguem? Não é quando nasce o filho, quando fazem sexo com alguem que consideram “bem adaptado”, quando se realizam pessoalmente, quando estão convivendo socialmente, quando o filho se realiza tanto individualmente como socialmente. Logo percebemos que é um fato, a felicidade está relacionada com a sobrevivencia da espécie.

Mas nunca estamos sempre felizes, a felicidade é como a fome, comemos e nos saciamos, mas o tempo passa e precisamos comer de novo. O que é muito discutido é que essa característica da felicidade ser insaciável, não ser eterna, é um problema, quando na verdade não é. Se não tivéssemos fome, não teríamos o prazer em comer, logo eu prefiro sentir fome, porém depois sentir o prazer em comer do que não sentir nenhum dos dois.

O sofrimento e a dor não são problemas, são as maneiras que a natureza encontrou do homem sobreviver, logo não aceitá-los é não se aceitar.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Livre-arbítrio

Todos devemos tomar decisões nas nossas vidas, essas são limitadas pelo meio em que vivemos, mas essas decisões que fazem uso da razão para decidir entre o melhor e o pior são tidas através de observações passadas e do instinto. Até que ponto realmente escolhemos alguma coisa?

No momento que o espermatozóide fecunda o óvulo, ocorre a fusão entre os genes do homem e da mulher. Nesse momento há um processo biofísico que define as características biológicas do ser, durante a gestação e depois do nascimento o ser se encontra num meio. Logo quando nasce o meio o influencia, uma maneira de explicar de forma mais detalhada é usar um exemplo de gémeos siameses, por mais que geneticamente sejam idênticos estão em posições diferentes no útero, um sai primeiro que o outro, ficam em camas diferentes sentam em janelas diferentes no carro e todos os mínimos detalhes que influem no “lado” social do ser. Se o mesmo individuo nascesse na Idade Média este seria completamente diferente.

Imagine um nenê, todas as suas “escolhas”: chorar ou não, defecar ou não, são praticamente tomadas pelo bio (instinto), o meio (social) vai influenciando-o conforme este cresce. A pessoa é definida pelo bio e pelo meio, mas ambos não foram “escolhidos” por ela, pois nem existe essa possibilidade, uma vez que o ela é o bio-social (instinto-meio). Se todas as escolhas são definidas pelo bio (instinto) e o pelo social (meio) e não existe possibilidade de escolher nenhum dos dois, não existe escolha.

Por outro lado, as variáveis que compõem o processo de escolha, de modo externo ao indivíduo, também fogem ao seu controle. Não há como alterá-las.

A maneira como o indivíduo vai interagir com estas variáveis depende que quem esta pessoa é. Depende da sua visão de mundo, da sua maneira de agir (ou evitar a ação), das suas prioridades e valores. Mas tudo isso, que podemos resumir como "visão de mundo", é resultado das contingências passadas, e estas são inexoráveis.

O que ocorre, então, é um indivíduo invariável, determinado naquele instante, interagindo com variáveis também fixas (por mais que numerosas). Se a opção entre estas variáveis depende do indivíduo, e este é determinístico no momento da escolha, a escolha é ilusória. O indivíduo não teria como optar de outra maneira, porque sua concepção de mundo o leva a fazer esta opção.

Portanto, a partir do momento que somos restritos às contingências, não há de fato livre-arbítrio.

Liberdade

A Liberdade realmente existe? Para discutirmos a possibilidade de atingir tal estado, temos que levar em consideração todas as variáveis que envolvem esse conceito.
A primeira liberdade que vem à cabeça é a de ir e vir, os prisioneiros não possuem essa liberdade pois estão condicionados ao tamanho da cela, mas também estamos condicionados à natureza, ou seja, não podemos ir para todos os lugares que queremos a hora que queremos, estamos condicionados as leis da natureza que não conseguimos "superar", e a maioria de nós financeiramente presos para usar as tecnologias que já foram desenvolvidas.

E podemos ainda colocar que estamos presos as pessoas que são íntimas em nossas vidas, como nossos cônjuges, amigos e principalmente os filhos, se buscar a liberdade significa buscar a possibilidade de satisfazer os prazeres, e estar com um filho é um prazer, então temos um paradoxo, pois de um lado temos o prazer da liberdade e do outro o prazer em estar com o filho. Viver sozinho e não ter filhos é ter liberdade, mas de qualquer maneira caímos no paradoxo, pois a felicidade está condicionada ao social, e a busca por liberdade tem como escopo a felicidade então caímos no paradoxo.

Do mesmo modo que os instintos são necessários à sobrevivência, a formação de uma sociedade também é. E, mais que necessária, também pertence ao campo dos instintos. A espécie humana é muito social, e este aspecto foi um dos determinantes na nossa capacidade de adaptação e dispersão.

E toda espécie social, mesmo entre os animais, possui suas regras, que muitas vezes constituem paradoxos, assim como as nossas. Por exemplo, uma matilha de cães tem um macho dominante, e este é o único que tem o "direito" de se reproduzir. Mas os outros cães também possuem o instinto de se reproduzir. A regra social da matilha, então, entra em conflito com os outros instintos mais básicos (individuais) da maioria dos indivíduos que a compõe.

Mesmo que houvesse a possibilidade de viver feliz sem a presença de qualquer ser, estamos condicionados naturalmente às nossas necessidades, e todas essas nos proporcionam prazer, estamos presos à fome por exemplo, não podemos ir para lugares onde não é possível obter alimentos, assim como não podemos comer tudo que queremos pois podemos morrer ao comer um cogumelo venenoso."

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Egocentrismo do Altruismo



Altruísmo é fazer uma ação pensando no bem do próximo, e egocentrismo é fazer uma ação visando o seu próprio bem. Se analisarmos superficialmente chegaremos a conclusão que são opostos. Porém na verdade não é, qualquer ação feita por um indivíduo acontece pois este a considera certa. Não existe nenhuma ação sem ter como escopo o bem do “eu” (ego).

O altruísmo na verdade tem como fundo o instinto de sobrevivência da espécie como um todo. Os indivíduos que ajudavam os outros, que formavam grupos unidos tinham maior chance de sobrevivência e transmitiam o prazer em ajudar o próximo, ou seja, o indivíduo que ajuda o outro sente prazer nesse ação e a repete. Entre animais, muitas vezes o altruísta realmente se sacrifica pelo grupo, é aquele macaco que se expõe aos predadores para desviar a atenção enquanto o resto do grupo foge. O grupo que possui mais indivíduos como este tende a ter maior chance sobrevivência. Então, apesar de não ter uma vantagem adaptativa individual, esse indivíduo altruista tem menores chances de se reproduzir do que os outros dentro do grupo, por isso são poucos, mas os grupos que proporcionam maiores chances deste se reproduzir sobrevivem mais que os outros grupos.



Porém isso acontece quando temos muitos recursos, espaços, quando não há muita competição, nesse caso há uma maior união, se analisarmos as sociedades primitivas percebemos isso de maneira clara. Porém com o aumento populacional ser altruísta não é tão importante quanto ser egoísta, defender apenas a sua pessoa e a sua família, é uma garantia maior de sobrevivência, pois há uma maior competição, um aumento na dificuldade para obter os recursos necessários para sobreviver.

Por isso que vemos cada vez mais o incentivo de ações altruístas, conforme o aumento populacional ocorre a necessidade (individual) de ser egoísta para poder ter recursos e sobreviver, assim como a necessidade (social) de propagar o incentivo da distribuição destes (recursos) para a espécie sobreviver. Se ser altruísta é considerado uma virtude, então há um impulso para a pessoa realizar tal ação, mas não são todos que continuam, pois geneticamente não são todos que tem maior prazer em ajudar os outros (social) do que se realizar pessoalmente (individual).

O Moderno Coliseu


Na natureza, a violência é comum e toma vários aspectos. A competição por interferência, que pode se dar tanto entre como dentro de uma espécie, ocorre quando indivíduos interagem diretamente, competindo por alimento ou espaço territorial, ou, ainda, pela reprodução sexual, quando na mesma espécie (3). Esta luta muitas vezes significa a morte do “opositor”. Há, ainda, outros casos mais específicos de violência entre os animais, entre os quais podemos citar, como exemplo, os machos que, ao se tornarem dominantes, eliminam os filhotes do macho dominante anterior, alguns casos de parasitismo, predadores, e até mesmo relações sexuais onde o macho se torna alimento para a fêmea.

Os ancestrais hominídeos, que deram origem ao homem, a partir do gênero Homo, eram caçadores que competiam com outros carnívoros (4). Além disso, é visível aos olhos de qualquer observador a violência implícita à sociedade humana atual, apesar desta ser culturalmente condenada em diversos grupos.

Nenhuma cultura duradoura pode ser apenas um agregado de tradições aprendidas independentemente; é, antes, um sistema historicamente formado de regras de vida explícitas e implícitas, e o comportamento é evidentemente moldado por esta cultura (1). Os valores que constituem os alicerces da sociedade, portanto, fundamentam as regras sociais e determinam o comportamento dentro desse âmbito. Entretanto, não há nenhum "dever-ser" necessário nestes valores. Eles não existem fora da sociedade, de modo que só fazem algum sentido dentro do contexto social. E, em muitos casos, tratam-se de uma contradição aos instintos humanos.

A violência, portanto, é proveniente da "libertação" destes instintos. Cria-se, a partir de então, um sentimento contraditório, de desejo e repulsa pela violência. Isto explica a citação de Dostoiévski, que conhecemos como verdadeira e chocante pelo senso-comum: “Há um estranho sentimento de satisfação que as pessoas não deixam de experimentar à vista da inesperada desgraça alheia, e do qual nenhum homem escapa, apesar do mais sincero sentimento de compaixão e simpatia” (2)


Referências:

(1) Dobzhansky, T. G. O Homem em Evolução. Editora da USP, SãoPaulo, 1968.

(2) Dostoievski, F. M. Crime e Castigo. Editora Martin Claret, São Paulo, 2007.

(3) Futuyma, D. J. Biologia Evolutiva. 2ª. Edição. Editora da SBG/CNPq, Ribeirão Preto, 1992.

(4) Lewin, R. Evolução Humana. Editora Atheneu, São Paulo, 1999.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Nascimento da Monogamia Masculina


O “nascimento” da monogamia masculina está totalmente ligado ao “nascimento” dos “Dez mandamentos”.

“A história de José, um dos filhos de Jacó, narra como os israelitas foram parar no Egito, onde foram escravizados pelos faraós. A Bíblia conta de que maneira Moisés os tirou dali e, depois de quarenta anos errando no deserto, levou-os a Canaã, a Terra Prometida. Durante a travessia do deserto Deus — Javé — deu a Moisés, no monte Sinai, as duas tábuas da Lei com os dez mandamentos a que os israelitas deveriam obedecer. Dessa forma, fez-se um pacto segundo o qual os israelitas deveriam reconhecer a existência de um só Deus, e em troca se tornariam o povo escolhido de Deus. Receberiam sua ajuda e seu apoio, desde que cumprissem o que lhes cabia no acordo e obedecessem às leis de Deus.” (1)

Os Dez Mandamentos foram criados ou “enviados” por Deus para ter um maior controle da sociedade e criar uma maior união entre todos os seus membros.

Dez Mandamentos:
1°) AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS
2°) NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO
3°) GUARDAR DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA
4°) HONRAR PAI E MÃE
5°) NÃO MATAR
6°) NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE
7°) NÃO ROUBAR
8°) NÃO LEVANTAR FALSO TESTEMUNHO
9°) NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO
l0°) NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS (2)

- Segundo o Vaticano, no Artigo 7:

1609. Na sua misericórdia, Deus não abandonou o homem pecador. As penas que se seguiram ao pecado - «as dores do parto» (Gn 3, 16), o trabalho «com o suor do teu rosto» (Gn 3, 19) - constituem também remédios que limitam os malefícios do pecado. Depois da queda, o matrimónio ajuda a vencer o fechar-se em si mesmo, o egoísmo, a busca do próprio prazer, e a abrir-se ao outro, à mútua ajuda, ao dom de si.

1610. A consciência moral, relativamente à unidade e indissolubilidade do matrimónio, desenvolveu-se sob a pedagogia da Antiga Lei. A poligamia dos patriarcas e dos reis ainda não é explicitamente criticada. No entanto, a Lei dada a Moisés visa proteger a mulher contra o arbitrário domínio por parte do homem, mesmo quando a mesma Lei comporta também, segundo a palavra do Senhor, vestígios da «dureza do coração» do homem, em razão da qual Moisés permitiu o repúdio da mulher (Cf. Mt 19, 8; Dt 24, 1).

1611. Ao verem a Aliança de Deus com Israel sob a imagem dum amor conjugal, exclusivo e fiel (Cf. Os 1-3; Is 54; 62; Jr 2-3; 31; Ez 16, 23), os profetas preparam a consciência do povo eleito para uma inteligência aprofundada da unicidade e indissolubilidade do matrimónio(Cf. Mal 2, 13-17). Os livros de Rute e de Tobias dão testemunhos comoventes do elevado sentido do matrimónio, da fidelidade e da ternura dos esposos. E a Tradição viu sempre no Cântico dos Cânticos uma expressão única do amor humano, puro reflexo do amor de Deus, amor «forte como a morte», que «torrentes da água não conseguem apagar» (Cant 8, 6-7).(3)

Os trechos que coloquei em negrito são importantes para perceber a união que foi criada entre os indivíduos dessa sociedade e o aumento do controle e do poder por parte dos reis privando os cidadãos dos seus desejos naturais. Essas leis ou mandamentos foram extremamente importantes para poder sobreviver durante quarenta anos no deserto.
A Páscoa Judaica está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, onde liderados por Moises, fugiram do Egito (4). Toda essa históra foi “endeusada” e se tornou um mito, pois foi uma grande conquista desse povo.

Referências:

(1) Gaarder, Jostein; Victor Hellen e Henry Notaker – O Livro das Religiões
(2) http://vindeespiritosanto.vilabol.uol.com.br/verdades.htm

(3) O sacramento do matrimônio. http://www.vatican.va/archive/catechism/part_2/documents/cathechism_part-2-section-2-chapter-3-art.-7_po.html
(4) http://en.wikipedia.org/wiki/Passover

O Nascimento da Monogamia Feminina


A monogamia não possui justificativas biológicas consistentes para a sua existência. Onde teria se originado, então, esta prática? Todos os seres vivos possuem características não necessariamente restritas a seus genes. O fenótipo é a interação do genótipo com o ambiente. O ambiente certamente inclui os costumes sociais. E diversas espécies são sociais. A nossa não se exclui.

As origens de nosso comportamento social estão muito interligadas com a história da civilização humana. Nas comunidades primitivas, existiam os chamados “casamentos de grupo”, onde todas as mulheres pertenciam a todos os homens, e vice-versa, dentro de um grupo restrito. Estes povos ignoravam o mecanismo da procriação. Acreditavam que esta era uma função inerente à mulher, que seria capaz de gerar a prole sem necessidade de uma intervenção exterior. A religião praticada por estes povos da antiguidade denomina-se ctonismo (do grego cton – terra), onde havia o culto da terra fecunda. Estas sociedades são consideradas matriarcais pela grande importância dada à capacidade feminina de gerar.

Neste período, os bens, que em sua maior parte eram compartilhados pelo grupo, ficavam com a sua mãe e seus parentes, e não com os seus filhos, pois estes pertenciam à mãe. O direito dos filhos era totalmente materno.

A fêmea humana passou a perder seu “prestígio” com a descoberta da necessidade de fecundação masculina para a reprodução. Isto ocorreu paralelamente ao desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, seguido da escravidão. Portanto, se deu em um momento que a idéia de posse se estabelecia. O homem, sabendo de sua condição de procriador, passa a considerar a mulher como sua propriedade, já que as posses deveriam ser repassadas para seus filhos. O desmoronamento do direito materno foi a grande derrota histórica do sexo feminino em todo o mundo, estabelecendo-se uma sociedade poligâmica patriarcal.


No estabelecimento desta nova sociedade, as leis e os valores religiosos são então utilizados:

A primeira vez em que este padrão de comportamento sexual foi registrado na civilização ocidental em códigos legais foi entre 1800 e 1100 a. C., em cidades da antiga Mesopotâmia (vale do Rio Tigre e do Eufrates). As partes desses códigos que se referiam à posição legal e aos direitos e deveres das mulheres diziam que elas tinham que manter sua virtude, da mesma maneira como pensavam os outros povos agrários. Foi a primeira evidência escrita da subjugação da mulher nas sociedades agrícolas da antiga Mesopotâmia, na qual as mulheres eram consideradas bens e propriedades. Esta inferioridade das mulheres com relação aos homens tem relação com o advento do arado na produção de alimentos. Antes, as pessoas utilizavam a enxada e as mulheres realizavam a maior parte do trabalho no campo, mas com o surgimento do arado, em torno de 3000 a.C., que necessitava de uma força muito maior para ser usado, os homens passaram a ficar com a maior parte das tarefas agrícolas. Com a invenção do arado as mulheres perderam seu antigo papel de coletoras e provedoras de alimentos, passando a ser inferiores aos homens.

Nos valores morais religiosos, há relatos de que, entre 516 a.C. e a destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C., os costumes sexuais judaicos passaram a ser cada vez mais identificados com as leis de Deus. Até então, no judaísmo, poucas práticas sexuais eram consideradas imorais. Aos homens, ao contrário das mulheres, era permitido livre acesso às prostitutas, concubinas, viúvas, criadas domésticas, etc.


No Oriente Médio, na época de Maomé, e até hoje, dentro do islamismo, a mulher só podia ter um marido, ao passo que os homens podiam ter até quatro esposas. O marido também tem o direito de punir fisicamente a esposa se ela for desobediente. "Quanto àquelas de quem temes desobediência, deves admoestá-las, enviá-las a uma cama separada e bater nelas", diz a sura 4.

Nas religiões judaicas, com o advento do Cristianismo, a virgindade passou a ser mais exaltada, a poligamia abolida e as relações sexuais permitidas apenas para a procriação. A castidade passa a ser essencial para ambos os sexos e o casamento é investido de significado sacramental e simbólico A monogamia era a única forma aceitável de casamento e o Novo Testamento menosprezava o concubinato. Isto está associado ao fato de que, nos séculos posteriores a Jesus, alguns líderes cristãos tornaram-se hostis ao sexo. O celibato, porém, só foi oficialmente imposto ao clero cristão no século XI e a abstinência sexual foi se vinculando cada vez mais a Deus e o adultério ao pecado, tanto para homens como para mulheres.



Referências:


ARMAND, E. Os crimes passionais e o tartufismo sexual. Novos Tempos, n. 1, 1998.

ENGELS, F. Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, A.. P. imprenta: Rio de Janeiro, 1964.

FISHER, H. E. Anatomia do Amor: a história natural da monogamia, do adultério e do divórcio. Rio de Janeiro: Eureka, 1995.

GAARDER, J. O livro das religiões. São Paulo:Companhia das Letras, 2000.

GIDDENS, A. A Transformação da Intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas. São Paulo: Editora Unesp, 1993.


sábado, 19 de julho de 2008

Instintos Monogâmicos?


Tradicionalmente, considera-se que a infidelidade seja uma característica masculina, e que as mulheres tendem à monogamia. Há, ainda, quem coloque que as mulheres "adúlteras" contrariam a sua própria natureza.

Existem justificativas de cunho biológico para essa afirmação primordialmente sexista:

Os homens podem fecundar várias mulheres ao mesmo tempo. As mulheres dispendem muito mais energia para a reprodução, já que precisam desenvolver a gravidez durante 9 meses, amamentar a criança e não têm como se isentar da responsabilidade pela criação, se quiserem garantir a sobrevivência da prole.

Já o homem pode se responsabilizar pela criação de filhos de mulheres diferentes. Isso é interessante biologicamente, porque, ao terem várias mulheres, os homens geram crianças com maior diversidade genética, otimizando as chances de seus genes serem fixados ao ambiente.

Enquanto isso, a mulher procura o parceiro ideal, em função do gasto energético. Ela seleciona o macho com as características que considera mais adequadas, e investe na possibilidade de que este parceiro será capaz de lhe dar uma prole com capacidade adaptativa.

Entretanto, essa justificativa é unilateral.

Por mais que a mulher deseje segurança para esta prole, também deseja variabilidade. A diversidade genética é importante para a sobrevivência da espécie como um todo, não apenas de um dos sexos. É interessante, também para a fêmea, que seus filhos tenham constituições genéticas as mais diferentes possíveis. Então, a mulher deseja constância e variabilidade.

Conclusão? Por mais que a mulher tenha tendências à monogamia, também esta está "predisposta" ao adultério. Ao mesmo tempo que a fêmea seleciona os machos com as características que ela considera capazes de prover a maior adaptação ao meio possível, é interessante que a prole tenha genes variáveis entre sí.

Ora, a "intenção" contida na reprodução é perpetuar seus próprios genes. Se toda a prole for homogênea, apesar de suficientemente adaptada ao meio, ela pode não resistir à qualquer alteração ambiental. Com a variabilidade, a fêmea procura garantias de que, mesmo que o ambiente mude, ao menos parte de sua prole terá chances de sobrevivência, conseguindo, assim, fixar seus próprios genes na população.

É claro que o gasto energético feminino para a reprodução é maior, e portanto, elas são mais seletivas. Mas o fato de serem seletivas não inclui necessariamente a idéia de um macho apenas ser selecionado, mas os machos que ela considera interessantes para contribuírem para a tarefa.

Historicamente, podemos perceber que isto é verdade. A instituição da monogamia, e dos valores como virgindade, foi essencialmente masculina, com o objetivo de assegurar-se da paternidade dos filhos. Se a fidelidade feminina fosse algo inerente, estas "regras" não seriam necessárias.

A conclusão da idéia é que a monogamia estabelecida não é natural, do ponto de vista biológico. Além disso, do mesmo modo que a fidelidade é um "sacrifício" aos desejos inerentes ao homem, o mesmo ocorre com a mulher.

O ciúmes, colocado como uma possível prova de nossa natureza monogâmica, tem um viés cultural e instintivo, já que a própria posse os tem. O sentimento de posse tem um valor adaptativo, porque significa a apropriação de um território necessário para a sobrevivência. O território abrange o sustento (com tudo o que se relaciona a isso), o espaço e as opções escolhidas para a procriação. Se o território é invadido, estamos inseguros; nossa sobrevivência ou perpetuação gênica estão ameaçados. O invasor implica em dispender energia na concorrência, e pode significar a perda do território. A perda deste significa que teremos que buscar em outros lugares os meios necessários, entrando em competição. Ou seja, dispendendo energia e com o risco de não sermos bem sucedidos. O ciúmes é o sentimento contrário à invasão deste território, sentimento necessário para a preservação deste.

O Prazer pela Música

Os homens que apreciavam ou não certas frequencias sonoras sobreviviam e obviamente transmitiam o prazer ou o desgosto por essas frequencias. Os que tinham prazer ao ouvir o canto dos pássaros em geral, o barulho da água, do vento na vegetação, entre outros sobreviviam pois estes sons representam condições interessantes para a sobrevivência. Os pássaros, porque se eles estão presentes significam alimento e ausência temporária de predadores. A água e a vegetação, um local com recursos naturais necessários para a sobrevivência. Paralelamente, sons agudos lembram "choro", gritos, ganidos, ou seja, expressões de sofrimento, que foram associados a algo desagradável porque indicavam a existência de algum possível risco ao redor. Assim como o barulho do vento muito forte ou dos trovões que indicava tempestades.

Os homens começaram a fazer certos barulhos ao bater na coisas. Os barulhos que eram parecidos com os sons encontrados em ambientes ideais eram agradáveis e ao mesmo tempo exótico, pois eram de certa forma diferente e atiçavam a procura por novos barulhos, fazendo dessa maneira com que o homem descobrisse mais o ambiente e as coisas ao seu redor. Descobrindo novos sons e os misturando “nasceu” as musicas que eram usadas como um meio para se comunicar com os deuses, pois os sons eram exoticos (desconhecidos) e os deuses também.

A musica como um culto para os deuses foi uma forma de sair do mundo real e entrar no mundo mistico (evitando o stress), durante esses cultos ocorria danças, que eram apreciadas pois eram exercicios fisicos, brincadeiras, e proporcionavam uma maior ligação entre os membros da tribos, tanto eroticamente (aumentando a reprodução) como na forma de amizade (aumentando a união durante as batalhas).

Depois, mesmo com o advento das palavras, os sons continuaram evoluindo como uma linguagem paralela. Isso porque, com a evolução do cérebro e do conhecimento, as palavras não possibilitariam a comunicação de algo abstrato. Então, por um processo cultural, estes sons se transformaram na música como conhecemos, com toda a sua complexidade, já que proporcionam prazer ao ouvinte.

Percebemos que a musica hoje tem basicamente duas características importantes, pode ser usada para transmitir uma mensagem e/ou para dançar, sendo que é corolário as frequências serem agradáveis.

As frequências consideradas agradaveis variam de individuo para individuo, pois variam conforme o ambiente. Se voce crescer ouvindo um tipo de musica e considerar o ambiente que voce cresceu adequado (adaptado) voce irá gostar daquele tipo de musica. Um exemplo de explicar isso é perceber que conforme aumentou os barulhos nas cidades, as musicas consideradas barulhentas foram sendo aceitas como agradaveis.

O gosto por certo tipos de frequencias, conforme os exemplos que coloquei no primeiro paragráfo, foram herdados, mas o meio nos influencia, pois foi este que fez a seleção de certas frequencias que são comuns para todos nós.

O Prazer pelos Objetos


Os objetos inicialmente foram criados para auxiliar, eram ferramentas, utensílios, não eram usados para decorar. Os adornos foram os primeiros objetos que tinham como escopo a decoração.

Os primeiros adornos foram ossos, dentes ou pedras exóticas, os individuos que os usavam eram os que tinham habilidade de caçar e explorar o terreno e as mulheres que tinham prazer pelos adornos, se reproduziam com esses indivíduos transmitindo o prazer pelos adornos e a habilidade de caça, logo aumentando a probabilidade de sobrevivência e reprodução dos seus filhos.

Os adornos belos eram os dificieis de conseguir, mas eram conhecidos, como dentes de tigres, que eram um premio para o individuo. Os exóticos, eram os diferentes, desconhecidos, percebemos denovo a relação entre o exotico e o mistico, pois os adornos mais exoticos eram utilizados como talismã protetores ou peças com "poderes especiais" que só podiam ser usados por determinadas pessoas, aquelas que pertenciam a determinadas classes sociais.

Até hoje usamos adornos (colares, pulseiras, brincos, roupas) e esses influenciam no conceito de beleza. As diferentes formas ou desenhos dos adornos são ditados pelo meio. A beleza dos adornos são influenciadas também pelo material que os compõem, se vemos um colar de plástico pintado de prata acharemos esse mais feio que um colar de prata que tem a forma idêntica do outro.

Decoramos a nossa casa com objetos para nos sentir bem, achar que estamos num ambiente adaptado, da mesma maneira que nos vestimos de acordo com o que consideramos belo.

Os desenhos e formas dos objetos, podemos até considerar aqui a arquitetura dos prédios e casas, são influenciados pela ciência, que ao fazer descobertas possibilita novas formas.

Existem objetos que são ferramentas ou utensilios, esses tem como escopo acelerar ou facilitar algum processo humano, não devem ser belos pois têm outro objetivo."