terça-feira, 28 de outubro de 2008

Qual o sentido da vida existir?


O que é muito discutido é que cada ser vivo tem um papel essencial no mundo, mas papel significa finalidade de existir, e o que na verdade tem uma finalidade real, um sentido objetivo de existir?

Se pensarmos que um ecossistema não muda, é estável, cada ser tem um papel, e este é essencial na cadeia alimentar e na conservação da entropia do ecossistema. Porém os ecossistemas são extramamente mutáveis.

Na verdade nada tem um papel, tudo se adapta, a minhoca por exemplo melhora as condições do solo para poder ser possivel a vida de determinadas plantas, porém se a minhoca deixar de existir, aquelas plantas morrerrão e virão outras que conseguem viver sem a minhoca. (exemplo)

Se pensarmos que os ecossistemas não mudam, cada ser tem um papel que é manter aquele ecossistema, mas os ecossistema mudam e de uma maneira ou de outra, um ser que tem uma função determinado momento se extinguira e outros se adaptarão a nova condição do ecossistema, num movimento constante.

Só existe papel se estabelecermos uma necessidade de permanência, ou seja, para a manutenção de um ecossistema cada ser tem uma finalidade, mas qual o papel da manutenção de um ecossistema? Apenas a sobrevivencia dos seres que existem hoje, ou seja, fugir das transformações.

O mesmo se aplica aos nossos orgãos, estes só tem um papel se a necessidade for a nossa sobrevivencia, é nesse ponto que eu quero chegar, os entes e seres só tem um sentido se estabelecermos uma necessidade, sem necessidade não há razão de existir.

Se na natureza não há nenhuma necessidade, então não há necessidade dos objetos e seres terem um objetivo de existir, dessa maneira não há necessidade para o sentido da vida, logo a busca por um sentido da vida passa a ser um absurdo.

sábado, 18 de outubro de 2008

O presente do Deserto


Não sei o que me leva, desconheco o porque, mas sei que entro no deserto solitário de areias companheiras, à marcha lenta eu ando e o sol não me mata, mas a noite vem me mostrar a sua luz, não sei se é bom ou ruim, na verdade não sei mais o que é bom ou ruim, não sei de nada, mas sei que saberei no fim desse caminho construido nas colinas deserticas.

De repente entro numa viela, parece que algo me antinge incessantemente, é a garoa que cai lentamente e sem barulho, olho para a luminária na rua e só vejo uns finos trechos de agua caindo do ceu, sem rumo eu sei para onde eu vou.

Perco totalmente a noção do tempo e do espaço, o mundo se derrete, e já não conheço mais o meu “eu”, pois eu nunca sou, não consigo pegar o presente. Vejo uma caixa de correio, minha curiosidade me leva até ela, chego perto e pego um pacote bem embalado, e lá estava ele: o presente.

Percebo que o presente estava malpassado, na verdade o presente era malpassado, não existia, tinha acabado de passar, mas como poderia ter uma luminária e uma caixa de correio no meio do deserto? Me parecia ser um sonho.

Acordo no meio do deserto, percebo que a garoa na verdade eram as gotas de suor que percorrem o meu corpo, tinha dormido muito e acordado com o ardor fervente do deserto.

Mas me questiono: e se tudo for um sonho? Quando sonho penso que é real, mas quando acordo consigo diferenciar minhas experiencias oníricas do que meu olhar apanha, mas não consigo provar as imagens formadas na minha consciencia, pode ser tudo um sonho mesmo, mas não vejo vantagem em tratar o que eu percebia como fantasia, não apalpo o pragmatismo, logo coloco-me a caminhar pelo deserto mais uma vez.

Continuo, o deserto é o obstaculo, a mente é a minha aliada e a esperança minha ferramenta, não sei porquê tomei essa decisão, não sei se alguma vez na vida já tomei alguma decisão, será que sou diferente desses grãos de areia que são levados pelo vento desertico? Que vento que me trouxe aqui? Nao sei, desconheço.

No meio dessa aridez me encontro com um sentimento de solidão humana percebo que faço parte do mundo, mas de onde eu vim? E a areia, da onde esta veio? Sei que a areia se formou a partir do intemperismo, quanto tempo levou para formar esse deserto? E eu? Sou tão especial assim?

Me parece que sou igual a areia em sua solidão grupal e estimo que me tornarei uma, aquela que tenta se abraçar a outra quando os ventos sulinos se aproximam tentando leva-las em caravana para longe, mas que no fim é o mesmo lugar.

A tristeza me carrega e sem forças eu marcho, o medo toma conta de mim, nesse momento não tenho controle, percebo que na verdade eu nunca tive, apenas a ilusão de um, tento lutar, mas no fim sou incapaz de vencer as leis que regem esse mundo, deito e esposo meu passado e meu futuro, minha origem e meu presente: as areias do deserto.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A ampulheta da vida e da morte


"Ele pensa que a vida ficou para trás
Então finge que nem liga
Que tanto faz
Oh, não! A vida é como um gás
Só um sopro, só um vento,
Nada mais
E o ar que já lhe passou pelos pulmões
De tão velho já quer ir descansar
Daqui para o futuro falta só um piscar
Que é para o tempo não mais nos enganar
Ele agora vê que o tempo é uma ilusão
E o passado são as linhas em suas mãos
Oh, não! A vida é muito mais
Que os dias, que os deuses, que jornais


(A Verdade sobre o Tempo – Pato Fu)


Sofremos com a idéia da morte pelo desconhecido que ela traz; mas criamos significados, imaginamos uma continuidade da vida em outras esferas, conferimos um aspecto transcendente a ela. Porque? Porque a idéia de não existirmos é mais angustiante do que qualquer mistério. Não concebemos a não existência, não nos conformamos com ela. E a inexorabilidade disto torna o tempo absoluto, senhor de nossas ações. Nos parabenizamos uns aos outros a cada aniversário, por mais um ano em que vencemos a morte. Será que contaríamos o tempo se não fôssemos finitos?

Ao mesmo tempo, o sentido da morte está diretamente relacionado com o sentido da vida. Não há um sentido aparente para a vida. Construímos objetivos numa realidade concreta, mas mesmo estes se tornam absurdos quando confrontados com a certeza de que a vida terá seu fim.

Como diria Vinícius de Morais:
"Ás vezes quero crer, mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Então pergunto a Deus:
- Escute, amigo! Se foi para desfazer, porque é que fez?
Mas não tem nada, não, tenho o meu violão"


Apesar de ser uma eterna e angustiante questão filosófica, a morte é um evento totalmente sensato para a natureza.

O principal responsável pela nossa finitude é uma estrutura que se encontra nas extremidades dos cromossomos, chamada Telômero. Sua função é, principalmente, proteger os nossos genes de serem danificados pelo processo de replicação do DNA. Se nossos genes sofrerem alterações, há uma grande possibilidade de que haja a perda da função normal dos tecidos.

Para que uma célula se divida e, assim, promova o crescimento ou a substituição de outras células perdidas, é necessário que seu DNA seja duplicado. Em um processo normal da duplicação do DNA, a cada divisão celular, perde-se cerca de 150 bases nitrogenadas, e o cromossomo é progressivamente diminuído. Este processo de encurtamento também está relacionado com outros fatores, como agentes ambientais, resíduos metabólicos, stress, e outros.

É aqui que entram os telômeros. Eles estão nas extremidades das fitas de DNA, e são compostos por centenas de repetições da seqüência TTAGGG. Quando ocorre o encurtamento das fitas, as seqüências pedidas são teloméricas. Como não existem genes nos telômeros, este desgaste não significa perda de atividade.

Mas, na maioria das células, os telômeros não são reconstruídos, de modo que são finitos. O tamanho dessas estruturas é variável, mas para que sejam totalmente perdidos (e o desgaste começar a se dar nos genes) seriam necessárias uma média de 150 divisões celulares. Entretanto, após de 50 a 90 divisões, as células atingem o “Limite de Hayflick”, quando os telômeros sinalizam para a célula seu desgaste. Ao receberem este sinal, as células induzem a própria morte (apoptose).

Quando a perda de células se torna maior do que a capacidade de reposição, o indivíduo envelhece, progressivamente. Há um momento em que a perda é tão grande, em conjunto com outros aspectos relacionados à morte celular, que o tecido perde a sua função. Isso faz com que, por sua vez, o órgão deixe de ser funcional e o indivíduo morra.

O que ocorreria se nossos telômeros fossem eternamente reconstituídos? Nossas células seriam imortais, e, a não ser por alguma causa externa (como acidentes e doenças infecciosas), nós também seríamos. Entretanto, existe um outro lado da moeda: nossos cromossomos são constantemente “bombardeados” por agentes capazes de causar mutações. A pior conseqüência disso é o câncer.

Para que haja a formação de um tumor maligno, é preciso que ocorram no mínimo duas mutações, atingindo genes de funções específicas. Como estas mutações são aleatórias, quanto mais tempo um cromossomo permanecer exposto, maior é a probabilidade de que estas duas mutações ocorram. Assim, uma célula imortal chegaria a um momento em que esta probabilidade seria de 100%, de modo que, mais cedo ou mais tarde, se transformaria numa célula maligna. Portanto, quando os telômeros induzem as células à morte, estão, também, minimizando as chances da ocorrência de um tumor.

Surge, aqui, um paradoxo muito interessante. Se resumirmos a história, podemos afirmar que os telômeros limitam nosso tempo de vida para que nossos tecidos permaneçam o maior tempo possível funcionais, e para que as possibilidades de um câncer sejam menores. Mas se nossos tecidos não forem funcionais, ou se tivermos um câncer, morreremos. Então, os telômeros acabam nos levando à morte para nos proteger da morte!!

Mas, se analisarmos em um contexto maior, há uma grande razão para isso.

Qual o sentido da vida? A reprodução.
Isto é bem claro. Perceba o seu próprio corpo, e verá que tudo nele são estruturas que permitem a sobrevivência e reprodução. Lembre-se do processo de adaptação e de seleção natural – o mais apto o é porque é capaz de se reproduzir mais.

Pensando a vida sob esta perspectiva, o paradoxo dos telômeros deixa de ser um paradoxo, e se torna lógico. Os telômeros conferem um prolongamento da funcionalidade dos organismos. Assim, o período reprodutivo é otimizado – tudo funciona bem tempo o suficiente para que o indivíduo se reproduza. Após este período, o indivíduo cumpriu sua função primária. Portanto, vale a pena tornar o indivíduo finito para que ele se reproduza o máximo possível.

É claro que este mecanismo tem óbvias vantagens adaptativas. Se um indivíduo com o tempo de vida limitado pelos telômeros é capaz de se reproduzir mais do que aquele que não o possui, esta regulação será mais freqüente, e, portanto, se fixará na população.
Ou seja, os fenômenos que nos condenam à morte são uma característica adaptativa – praticamente todos os seres vivos possuem telômeros e são mortais.

O que saber disso muda a nossa relação com a morte? Continua sendo terrível lidar com a própria finitude, sendo ela justa ou não. Mas o sentido da morte reflete o sentido da vida. Nos instituímos ingenuamente de uma importância que transcende nossa existência como seres vivos. Precisamos nos instituir de significados maiores do que os da natureza; do que os de nossa natureza.

Mas o mundo é auto-explicativo. E, se nos livrássemos das prisões de nossa subjetividade, muitas das questões filosóficas perderiam a razão de ser – as respostas a elas estavam o tempo todo debaixo de nossos narizes.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Fugindo do absurdo entrando na roda do espaço-tempo


Uma das maiores questões ontologicas é o tempo, o espaço e a causalidade. Quero fazer uma analise sobre as dificuldades de analisa-los e sobre as conclusões que eu cheguei.

A relação entre causalidade e espaço-tempo é notável, principalmente quando analisamos o tempo, ou seja, ou o tempo teve um inicio, ou este sempre existiu, porém ambas hipóteses são absurdas. Vejamos:

- O tempo ter surgido: O tempo obviamente não pode ter sido criado, ou surgido, pois criar e surgir é movimentar, tudo que se move se move a determinada velocidade (espaço/tempo), logo para o tempo surgir o tempo deveria existir a priori. Logo é um absurdo.

- O tempo ter sempre existido: Nesse caso o tempo seria infinitezimal para o passado, logo seria impossível ter chego até esse momento, porque seria eterno no passado. Logo é um absurdo.

A única hipótese lógica, é que o tempo não é uma semi-reta (com uma criação), nem uma reta infinita e sim um circulo, e esse circulo pode ter um comprimento absurdamente grande.

E o espaço assim como o tempo também deve ser ciclico[1], pois como vimos no outro texto, quando chegamos a determinada pequenez, os entes começam a crescer ao inves de diminuir, e o mesmo deve acontecer com o grande. De outra maneira teríamos que conceber uma infinitude de espaço, que também não é lógica, logo é um absurdo.

Se não existe um momento (um ponto no tempo) para a criação do espaço e do tempo, então não podemos falar numa causalidade necessária para estes existirem, pois estes não são entes, são dimensões onde os entes existem.

A causalidade necessita do espaço-tempo para ser lógica, sem o espaço e o tempo não podemos falar em causa, em ação, conclue-se que não existe a possibilidade destes (espaço e tempo) terem surgidos, portanto o espaço-tempo estão num plano acima da existencia, e se eles não podem ter sido criados e não podem ser infinitos, logo são cíclicos.
Referências:
[1] The Classical Universes of the No-Boundary Quantum State
Authors:
James B. Hartle, S. W. Hawking, Thomas Hertog
(Submitted on 11 Mar 2008)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Indivisibilidade, Infinito, Perfeição e Descartes

"Primeiramente quero analisar o conceito que Descartes tinha sobre o “átomo” (do grego = indivisível), que foi a ultima teoria sobre o arche, essa idéia foi válida durante muito tempo, a opinião de Descartes sobre o atomo: “Sabemos também que não podem existir átomos, isto é, partes da matéria indivisíveis por natureza. Pois, se existissem, como teriam de ser necessariamente extensos, por muito pequenos que os imaginássemos, poderíamos dividir em pensamento cada um deles em dois ou mais que fosse mais pequenos e reconheceríamos então que são divisíveis”.

A Teoria-M, a sucessora da Teoria das Supercordas, afirma que as partículas fundamentais que constituem a matéria, (dois exemplos bem conhecidos de particulas fundamentais, são o eletrón e os quarks (que formam os protons e os neutrons)), são na verdade membranas e que de acordo com os seus padrões vibratórios e sua tensão produzem diferentes particulas, e o mesmo pode ser aplicado às forças da natureza (gravidade, eletromagnetismo, força forte e força fraca) que são compostas por particulas, que na verdade são quantidades minimas de energia denominadas quantas, cada quanta equivale a constante de planck.

Resumindo, toda a matéria é composta por um elemento básico: uma membrana, que é indivisivel e que de acordo com a maneira que ela vibra e com a sua tensão, produz diferentes particulas, a natureza é uma música. Agora pergunta-se: porque é indivisível?

Para isso teríamos que analisar o modo que vemos o mundo, enxergamos “porque os nossos olhos colhem e enviam para o cérebro informações transmitidas por fótons que ricocheteiam nos objetos que olhamos. Os aceleradores de partículas também se baseiam no mesmo princípio: eles lançam partículas de matéria umas contra as outras, assim como contra outros alvos, e detectores de alta precisão analisam a chuva de estilhaços para determinar a arquitetura dos objetos envolvidos.”. Abaixo coloco uma foto que melhor exemplica:



Temos que conhecer o Principio de Heisenberg para entender o proximo passo, sabemos que quanto maior a energia (menor comprimento de onda) tiver um feixe de fotons lançado, maior será a precisão quanto a posição da particula sondada e quanto as suas caracterisiticas. Ou seja, aumentando a energia, aumentamos a capacidade de “olhar” distancias menores. Porém, “em 1988 David Gross, então na Universidade de Princeton, e seu aluno Paul Mende mostraram que quando se leva em conta a mecanica quântica, o aumento progressivo da energia de uma corda não leva ao aumento progressivo da sua capacidade de sondar estruturas menores, o que constrata diretamente com o que acontece com uma particula puntiforme, eles verificaram que quando a energia de uma corda aumenta ela é inicialmente capaz de sondar estruturas de escalas menores, tal como uma particula puntiforme com alta energia. Mas quando a energia aumenta além do valor requerido para sondar estruturas na escala da distância de Planck, a energia adicional não produz resultados favoráveis. Ao contrário, ela faz com que a corda cresça em tamanho, o que diminui a sua sensibilidade para as distancias curtas”. Logo, chega-se a conclusão que se a partir de uma distancia minima (Escala de Planck) nada pode ser afetado, então concluimos que este algo é o ultimo tamanho mínimo possivel, logo é indivisível, pois tudo que diminui irá aumentar.

É difícil entender isso se olharmos as partículas elementares a partir da visão mecanicista que o próprio Descartes inaugurou e Newton colaborou muito, porém a partir da mecânica quântica percebemos que não existem essas particulas puntiformes, o experimento da fenda dupla é uma maneira fácil de entender, as particulas elementares podem ser tratadas como partículas ou como ondas, depende de como convem para a física, não devemos pensa-las como pequenos grãos (como fez Descartes), pois não é isso que elas são, logo as membranas não podem ser divididas nem no pensamento (se você estiver pensando certo).

Para quem quiser obter mais informações, coloquei um trecho do livro “Universo Elegante” de Brian Greene, acho interessante dar uma lida no link.

Se as membranas não podem ser divididas, então elas não tem partes e são indestrutíveis, perfeitas e também não podem ter sido “criadas”, ou seja, feitas a partir de materiais menores, dado que segundo Lavosier “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, logo, elas sempre existiram, se elas sempre existiram elas são infinitas.

Logo se a ideia de infinito pode partir do ser, dado que este é composto por partículas (membranas) infinitas, então não podemos concluir de maneira alguma que a ideia do infinito seja uma “marca divina”, logo não há provas que Deus existe, e Descartes não conseguirá concluir mais nada do que: “Penso, logo existo”, e permanecerá no solipsismo."

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Filosofia, Linguagem e Subjetividade


A filosofia deve ser tratada como uma ciência, e uma ciência além de ter termos específicos não pode fazer uso de adjetivos.

Na ciencias exatas por exemplo, não vemos em nenhum lugar uso de adjetivos. A linguagem científica é objetiva, a filosofia, a mãe da ciência, a mãe da lógica deve ser objetiva, pois quando caimos na subjetividade não podemos concluir nada.

Quando queremos descrever uma cadeira, podemos descrever-la de duas maneiras:

A cadeira tem quatro pernas, um encosto, o banco tem o formato de um quadrado com 50 cm de lado e 3 cm de espessua e mas milhões de características.

E podemos colocar um conceito de valor, subjetivo, a cadeira é confortável.

Porém, confortabilidade é um conceito relativo ao ser, assim como todo adjetivo. Qualquer discussão filosofica perde o enfoque e consequentemente o escopo, ao ser reduzida a adjetivizações.

Os adjetivos são como a arquitetura de um prédio, é impossivel avaliar um prédio a partir de sua arquitetura, esta é totalmente subjetiva, se várias pessoas compararem a arquitetura de dois prédios, a opinião sobre o mais belo sera diferente. Porém se for comparado qual fundação suporta mais peso, se todos fizerem os teste devidamente, todos obterão a mesma resposta.

Filosoficamente fazer uso de adjetivos, ou seja cair na subjetividade é o mesmo que nadar contra a correnteza na mesma velocidade.

Linguagem e Sentimentos

É impossivel descrever um sentimento, uma sensação, pois esta é subjetiva ao ser, porém conseguimos nos comunicar, quando eu escrevo uma palavra que significa um sentimento, eu consigo transmitir algo para o receptor, logo existe um significado consensual, algo objetivo, uma mensagem que comum dentro da palavra, é isto que torna possivel a comunicação.
Por exemplo, quando eu digo: “Estou com dor no braço”, de maneira alguma eu consegui transmitir a sensação que estou sentindo, porém quem recebeu a frase, pode compreender em parte o que voce está sentindo, e essa compreensão é comum à todos.

A partir do momento que a sensação é subjetiva e relativa, tentar sintentizar a própria sensação se torna redundante e irrisório, e o objetivo se torna descrever a reação que a sensação causa no ser, porque esta pode ser definida objetivamente.

Se fosse definir dor usaria essa frase: “A dor é uma sensação desagradável que procuramos eliminar”. Eu não defini o que é sentir dor, pois não existe uma sensação comum, a dor depende do objeto que a causa e do sujeito que a sente, o mesmo acontence com os outros sentimentos, porém, podemos definir a reação objetivamente.

Poderia usar esse metodo e definir outros sentimentos, é um processo simples, porém não é o escopo desse texto fazer isso, estou interressado em definir o amor, um sentimento que sempre é muito discutido.

Conforme eu coloquei antes, e faço questão de repetir, é impossível definir como é estar amando, pois a sensação é relativa ao sujeito que ama e varia conforme o objeto amado. Dizem que os poetas são os que chegam mais perto de definir o amor, e eu digo que quem diz isso se iguala aos poetas e sua subjetividade, pois estes não chegam perto de defini-lo, nunca encontrei nenhum que definisse ou que chegasse perto de definir a sensação que eu sinto quando estou amando, o que eu vejo é o uso de metáforas e um jogo de palavras que mexe com os nossos sentimentos, mas não defini objetivamente o que é amar.

Filosoficamente, o que interressa é uma descrição objetiva, voltando no começo e usando o metodo que fiz para descrever a dor, temos: “O amor é um gostar elevado, não apenas querer estar junto, mas também querer preservar o objeto amado”.

domingo, 21 de setembro de 2008

Sonhei com você!

SOLIPSISMO (in. Solipsism; fr. Solipsisme, ai. Solipsismus; it. Solipsismo): Tese de que só eu existo e de que todos os outros entes (homens e coisas) são apenas idéias minhas. Os termos mais antigos para indicar essa tese são egoísmo (cf. WOLFF, Psychologia rationalis, § 38; BAUMGARTEN, Met., § 392; GANUPPI, Saggio filosófico sulla critica delia conoscenza, IV, 3, 24, etc), egoísmo metafísico (KANT, Antr., I, § 2) ou egoísmo teórico (SCHOPENHAUER, Die Welt, I, § 19). Kant empregou o termo Solipsismo para indicar a totalidade das inclinações que produzem felicidade quando satisfeitas (Crít. R. Prática, I, livro 1, cap. III; trad. it, p. 85); esse mesmo termo foi empregado para indicar o egoísmo metafísico por alguns escritores alemães da segunda metade do séc. XIX (cf. SCHUBERT-SOL-DERN, Grundlagen zu einer Erkenntnistheorie, 1884, pp. 83 ss.; W. SCHUPPE, Der Solipsismus, 1898; H. DRIESCH, Ordnungslehre, 1912, pp. 23 ss., etc). Freqüentemente, o Solipsismo foi declarado irrefutável, pelo menos com provas teóricas: tal era a opinião de Schopenhauer (loc. cit), muitas vezes repetida (cf. RENOUVIER, Les dilemmes dela métaphysique purê, 1901; A. LEVI, Sceptica, 1921; SARTRE, Vêtre et le néant, 1943, p. 284). Foi a aceitação (explícita ou implícita) dessa tese que por vezes levou a adotar o Solipsismo como ponto de partida obrigatório da teoria do conhecimento (cf., p. ex., DRIESCH, Op. cit., p. 23) ou como procedimento metodológico (SCHUBERT-SOLDERN, Op. CÜ., pp. 65 SS.). “ (1)



É comum ouvirmos de crianças o questionamento sobre a concretude da realidade. Não poderíamos estar sonhando? Será que você existe mesmo, ou faz parte do meu sonho?
Nós, adultos, costumamos estabelecer esta filosofia infantil como ilógica. Mas ela remete a um questionamento filosófico antigo e amplamente discutido, de uma razão estarrecedora: o solipsismo.

Qual a diferença entre estarmos sonhando e o mundo só existir em nossa mente? Se estamos sonhando, criamos toda a realidade, e não há necessariamente nada além dessa realidade. Ou seja, tudo existe em sua mente, apenas. Então, a realidade seria mesmo completamente subjetiva.

Mas esta subjetividade é não relativista, porque admite a existência de apenas um único sujeito criando toda a realidade, e não vários sujeitos, criando realidades próprias. Como inferir que há outros sujeitos, se sonhos são absolutamente próprios?

Um bom argumento contra a realidade dessa situação é o fato de que nossa imaginação é limitada. Sonhamos com o que experimentamos. Mas, então, teríamos que considerar que sonhamos objetivamente com o que vemos, e não é exatamente assim.

Por exemplo, se considerarmos que os deuses no decorrer da história foram criados. De onde teria surgido essa idéia? Não temos nenhuma elementação concreta para divindades. Os questionamentos e a sensação do exótico podem ter levado a criá-la, mas como criar algo que não existe em absoluto no campo das percepções? Como ter a idéia de abstração?

Nós temos a capacidade de unir idéias que ainda não se formaram totalmente e que, juntas, completam-se mutuamente. Estas idéias não-prontas nada mais seriam do que percepções incompletas, pensamentos abandonados, entre outras coisas. Quando estas idéias se unem, elas originam um elemento absolutamente diferente, que nos parece estranho. E isso dá a impressão de que aprendemos algo novo. Como num "insight".

Se A + B gera C, o C normalmente não é percebido como decorrente de A + B, por ser um elemento efetivamente diferente. É a capacidade combinatória do Witz, decorrente do conceito estabelecido por Freud.
(2)

Então, você pode estar agora lendo coisas sobre as quais não tinha pensado, mesmo sonhando.

Se considerarmos que você nunca esteve acordado, o A e o B podem ser pensamentos. A associação destes pensamentos soltos poderia criar a realidade percebida, através do Witz. E como quem criou a realidade teria sido você mesmo, todas as pessoas presentes no seu sonho compartilhariam dela, porque você as criou também como parte desta realidade.

Não há zero experiência, porque há a sensação de sua própria existência. A partir do momento em que você existe, há alguma coisa como ponto de partida. As idéias podem ter se combinado, e gerado novas, até estruturar toda a realidade.

Outra questão é a que o fim último desta hipótese seria "eu criei a realidade assim". Mas, do mesmo modo, um teísta pode responder a todas as perguntas com "Deus criou a realidade assim", e um ateísta poderia fazer alusão ao absurdo da existência, tirando o sentido conseqüente de qualquer outra coisa.

Se o "eu" faz parte do sonho, cai-se no problema de quem é o sujeito que está sonhando.
O sujeito que está sonhando deve ter criado a sí próprio (enquanto sujeito) e, a partir daí, criado a realidade onírica. O sujeito, portanto, é "Deus". A diferença é que, no caso, Deus seria você mesmo, enquanto indivíduo, e não algo externo a você. E chega-se ao mesmo problema existencial que temos com ou sem realidade concreta.

Isto não significa, entretanto, que você tenha controle sobre esta realidade. Como não tem controle total sobre o seu corpo ou sobre seus pensamentos. E também não significa que você necessariamente compreenda a estrutura de tudo o que foi criado, exatamente porque não tem controle sobre a sua mente. Seus próprios pensamentos não são controlados por você, seus sonhos não são controlados por você. Porque uma realidade criada em sua mente deveria necessariamente ser? Assim, você é obrigado a viver as regras da realidade que criou. Não tem como mudá-las.

E mesmo com esse impasse existencial, as questões sobre como se estrutura a realidade persistem.

Entretanto, mesmo sob o ponto de vista materialista, toda a nossa percepção da realidade se dá através dos sentidos e da lógica. Não dispomos de outras ferramentas para isso. Então, tudo o que é real e concreto tem sua parcela de subjetividade, porque a informação tem que ser processada em nosso cérebro, passa por nós. Concretamente, o que dispomos é de estímulos neuronais. Se esta resposta é em decorrência de um estímulo externo ou se ela é independente, a percepção é a mesma. Se tudo passa pela subjetividade, mesmo a sua idéia da existência dos outros, do social, é subjetivo. Remete a você.

Não há, portanto, como se provar que exista algo além de você mesmo.

Por outro lado, para determinar a existência de algo, deve-se partir do princípio de que este algo não existe, até que dê provas de sua existência. Não podemos provar que algo existe só porque não dá provas da inexistência, porque a inexistência não deixa provas!

Se eu te digo: existem gnomos no jardim. Como você vai fazer para descobrir se é verdade? Você vai procurar evidências desta existência. Se não há evidências, vai concluir que os gnomos não existem. Se não há provas da existência de uma realidade concreta fora da sua mente, não há, portanto, motivos para inferir sua existência.

O solipsismo pode, no entanto, promover um pensamento circular. Se o sistema de regras metafísicas só existem em sua mente, significa que eles não são reais concretamente. Mas para que você faça alguma inferência a respeito da realidade, é preciso usar premissas. E estas premissas devem ser obtidas a partir do que indubitavelmente é real. Portanto, se a realidade só existe em sua mente, suas premissas não são confiáveis. E se elas não são confiáveis, você não pode estabelecer que a realidade só existe em sua mente.

Mas se não há absolutamente nada além da realidade criada por sua mente, se só você existe, as premissas se tornam confiáveis. Afinal, o criado passa a ser concreto, porque é a única realidade existente. E qualquer inferência que você faça a partir da realidade usando suas premissas irá descrevê-la. Afinal, não há nada além daquilo que foi criado.

A grande questão que permanece é: se o solipsismo é de uma razão plena, porque “intuímos” que ele é absurdo?




Referências:


(1) ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontex, 1998.

(2) CAVALHEIRO, F. Sincronicidade e Witz. Rubedo – Revista de Psicologia Junguiana e Cultura, 3: 9, 2001.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Moda e Adaptação


Analisando as sociedades primitivas, vemos que o uso de adornos definia a posição do individuo na tribo, desde os primórdios, muito antes do capitalismo estar na moda, usar roupas ou adornos dificies de se conseguir (hoje são os caros) era algo procurado pelo ser humano.

Hoje há uma "mistura" de modas, ou seja, há diversos grupos que se vestem de maneira diferente e que convivem na mesma sociedade, claro que há a moda “principal”.

Percebo que instintivamente o ser humano tem a necessidade de querer se enquadrar socialmente, não digo no grupo “principal”, mas em qualquer grupo.

Se o individuo não se preocupa com a moda, é apenas uma maneira de ele mostrar como ele se porta perante a sociedade, ele quer mostrar para os outros que ele não se importa com os valores sociais, querendo se destacar.

O ser humano tambem tem essa caracteristica, querer se destacar, mas tambem tem a caracteristica de querer se enquadrar, mas percebe que o destaque visa o enquandro, o individuo quer se destacar para ser admirado por ter personalidade.

É possível que primitivamente não existissem individuos que resolviam se vestir completamente diferente, porque ele não seria aceito por um grupo diferente, pois não havia um grupo diferente.

Mas a partir do momento que ir contra a sociedade e seus valores te trará aceitação em determinado grupo, então é interressante para ser aceito.

Porém, todos se preocupam com a aparencia, uns preferem transparecer, outro preferem aparecer.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Lógica, Dialetica, Movimento e Causalidade no Inicio do Universo

A teoria do Big-Bang, é a teoria de que o universo surgiu de um ponto inicial, que continha todo o conteúdo do universo inclusive o espaço e o tempo, e que “existia” no meio do nada. E de repente, esse ponto começa a expandir até chegar no que temos hoje.

As observações feitas pelo telescópio Hubble indicam que o tecido espacial está se estirando, logo voltando no tempo o tecido espacial estaria cada vez menor (e com uma densidade maior), até voltar para um ponto, indicando dessa maneira que o nosso Universo teve um começo.

Filosoficamente e logicamente é inconcebível pensar numa criação do universo a partir de um ponto no meio do nada. Como disse Heráclito “Tudo Flui” e Lavosier “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Sem contar que a “explosão” precisaria de uma causa, mas para haver uma causa deveria existir o tecido espaço-tempo antes da explosão, mas este “nasceu” junto com a explosão, logo esta teoria do grão primordial vai contra o princípio da causalidade.

A Teoria-M traz uma ideia de que existem múltiplos universos sendo cada um uma membrana, e que o Big Bang teria sido o choque entre dois universos (duas membranas). Me parece uma teoria lógica, porque ao mesmo tempo que ela não esbarra nas observações feitas esta também tem dialética e movimento.

Para concebermos o ponto teríamos que acreditar que este estava parado, e isso não me parece ser possível. Pois tudo está em movimento, em transformação, não existe nada parado e penso que não existe o nada.

Tendo um conjunto de Teorias que tentam explicar certos aspectos do nosso universo, tanto no micro, como no macro, ou como na singularidade, sendo todas essas teorias apenas especulações, penso que a Teoria-M, por apresentar dialética e movimento, sem contar com as suas previsões matemáticas, se aproxime mais da realidade.