terça-feira, 9 de dezembro de 2008

À, O Amor


Amor platonico, Amor maternal

Amor de filho, Amor de amigo,

Amor à vida, Amor, eu digo

Que o Amor, meu Amor

É o prazer de estar contigo


Amor cético que não duvida

Não duvida que o amor, é força

Subjetiva no objetivismo da vida,

Amor cético, que diz sim

Sim ao Sim e Não ao Não

Não a negatividade ascetica

Diz sim a vida, ao fluxo


Amor que tem fome, mas que sacia

Amor que doi, que doi e amacia

Amor que não escolhe, mas não é escolhido

Amor que não está no destino, é deterministico

Amor que cria, que floresce


Flor que dá vida, Amor é vida

Nas idas e nas voltas, no fim e no começo

O amor que move a vida

A vida minha e a vida sua

A vida dele, a vida dela

O amor é a flor

A estrada e a estada, das nossas vidas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Amor Ocre


Como em toda história de amor, o sol se escondia no horizonte, e o mundo parecia um mar de lava. Aguardava impacientemente que o dia desse, enfim, lugar à noite. A fome me consumia como algo vivo, se alastrando, dominando, confundindo meus pensamentos. O cubículo onde me encerrava, antes aconchegante, parecia claustrofóbico nesses minutos de espera.

Uma vez o céu negro, assim eu me fiz também. O hálito frio da noite me envolvia em um abraço sensual. Precisava saciar a fome. A fome! A fome era tudo o que existia, quase uma dor, pungente.

Som de passos, cheiro morno. Me esgueirei por detrás de um muro, e a aguardei. Então ela veio, linda. Um longo pescoço alvo que culminava em uma cabeça bem feita, sob uma profusão de fartos cabelos negros. Introspectivos olhos azuis. Como uma gazela, suas pernas longas e ancas ondulantes. Caminhava lenta e distraidamente. Tudo nela transpirava...vida.

O desejo eram tentáculos. Cego pelos instintos, como um animal farejante, dei-lhe o abraço. Seu pescoço tenro ofereceu pouca resistência a meus dentes. Macio, macio, seu cheiro me inebriava e seu coração batia tão rápido quanto o meu, em uníssono. O sangue, tão doce, trazia uma deliciosa sensação de calor por todo o meu corpo. Ela me repelia, ao mesmo tempo em que se deixava enlaçar. Uma mistura de medo e desejo, resistência e aceitação, que me fazia querê-la como, parecia, jamais poderia fazê-lo novamente. Era a sublimação do amor em sua forma mais pura. A sensação de que nunca me saciaria dela.

Senti, então, minha amada desfalecer em meus braços, e a deixei, enfastiado. Era agora uma carcaça inerte, montanha de matéria orgânica inútil. Comida de vermes e insetos. Levemente enojado, desviei-me daquilo que brevemente seria putrefato, espalhado sobre a calçada imunda.

domingo, 30 de novembro de 2008

Tempo Esférico

Conforme já coloquei no texto “Fugindo do absurdo e entrando na roda do espaço-tempo” (pré-requisito para ler este), a única possibilidade lógica para o tempo é este ser cíclico.

Algumas considerações que devem ser feitas perantes alguns argumentos contra o tempo ciclico é que:

Se o tempo é ciclico, logo ele dá infinitas voltas, logo ele é um absurdo.

Vamos analisar mais profundamente isso, como diferenciamos um momento? Um momento é diferente do outro, se o estado espacial de qualquer ente do mundo for diferente.

O que chamamos de repetição? Repetir, é fazer a mesma coisa espacialmente, porém em momentos temporalmente diferentes, ou seja, a repetição pode ser contabilizada, pois há uma diferença entre as repetições, essa diferença é o momento temporal.

No caso do tempo ciclico, não é uma repetição é uma peretição, ou seja, não há diferença nenhuma, logo é uma volta, não várias, logo não podem ser contabilizadas como mais de uma, pois só é possivel contar coisas diferentes, se é a mesma é impossivel.

- Relatividade Restrita e Geral

Analisando o tempo como cíclico percebemos que um plano bi-dimensional não é capaz de descrever o tempo após a revolução feita a partir da Relatividade Geral, onde o tempo é relativo, depende de certos fatores fisicos (velocidade, campo gravitacional) que envolve cada observador.

Logo se conclue que o tempo não pode ser cíclico, o tempo deve ser necessariamente esférico, porém uma esfera fixa, conforme demonstrado no desenho abaixo:


O comprimento de cada circulo da esfera representa o modulo da distancia temporal percorrida pelo objeto (τ), a linha amarela representa um objeto que está em inercia total, quando que a linha vermelha representa um objeto que tem sua velocidade igual a da luz. Se,

Se conclue que se aumenta a velocidade diminui o dτ.

Essas formulas valem para a relatividade restrita, para a geral deve ser ascrecentado a influencia do campo gravitacional. [1]

- Principio da Incerteza de HeisenBerg

O tempo esférico conclui que tudo deve ser necessariamente determinado, pois tudo se perete, logo não pode haver nenhum comportamento espacialmente diferente.

O Principio da Incerteza diz que é impossivel se determinar a posição ou o momento de uma particula, mas isso ocorre porque para “olharmos” uma particula influenciamos no seu comportamento[2], a partir do experimento da fenda dupla concluimos que quando não lançamos o feixe de fotons sobre a particula esta se comporta como uma onda. Se a particula se comporta como uma onda, de maneira nenhuma o tempo esférico está ameaçado.[3]

Aqui podemos entrar numa discussão realistas x positivistas, mas esse não é o cerne da questão, devemos ter em conta o que observamos e o que observamos indica que é uma onda.
Mesmo indo para o lado dos realistas poderia caminhar ao lado de David Bohm e das variáveis ocultas [4], e o tempo esferico continua inabalado.

- Expansão do Universo

Segundo as observações do telescopio Hubble[5] o universo está em expansão, como o tempo esférico pode ser possivel? Nossa visualização do tempo é minuscula, observamos apenas um pequeno arco do circulo inteiro, logo as observações feitas perante o futuro ou o passado do universo não podem ser levadas em conta.

Mesmo desconsiderando o paragrafo anterior, desconhecemos totalmente a causa do Big Bang, existem teorias como a do Big Crunch ou a Teoria-M que se encaixam com o tempo esférico.

- Passado e Futuro

No tempo esferico não existe passado nem futuro, se analisarmos a esfera toda, porém estamos em apenas um pequeno “arco” desta, se nossas observações vêem de um arco, é óbvio percebemos passado e futuro.

Referências:
[1] Spacetime and Geometry: An Introduction to General Relativity
autor: Sean Carroll
editora: Addison Wesley
isbn: 0805387323
[2]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg
[3]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Experi%C3%AAncia_da_dupla_fenda
[4] David Bohm, “A Totalidade e a Ordem Implicada”
Tradução MAURO DE CAMPOS SILVA
Revisão Técnica NEWTON ROBERVAL EICHENBERG
EDITORA CULTRIX
São Paulo
Título do original: Wholeness and the Implicate Order
Copyright © David Bohm 1980 Publicado originalmente por Routledge & Kegan Paul Ltd.
[5] http://eprintweb.org/S/article/arxiv/0807.0535

sábado, 29 de novembro de 2008

Laplace, Fisica Quantica e Livre Arbítrio



Sempre que falamos em livre arbitrio o assunto mecanica quantica está sempre envolvido, mas até que ponto a mecanica quantica afeta, abre brechas para a existencia do livre arbitrio?

Segundo Laplace: “Nós podemos tomar o estado presente do universo como o efeito do seu passado e a causa do seu futuro. Um intelecto que, em dado momento, conhecesse todas as forças que dirigem a natureza e todas as posições de todos os itens dos quais a natureza é composta, se este intelecto também fosse vasto o suficiente para analisar essas informações, compreenderia numa única fórmula os movimentos dos maiores corpos do universo e os do menor átomo; para tal intelecto nada seria incerto e o futuro, assim como o passado, seria presente perante seus olhos”.[1]

Porém, segundo o Principio da Incerteza de Heisenberg, isso não é viável, pois é impossivel ter exatidão sobre a posição ou o momento de uma particula, ao lançar o feixe de fotons (observar), influenciamos no comportamento da mesma e dependendo da frequencia desse (feixe) teremos um valor mais preciso relativo a posição ou ao momento. [2]

Mas isso é o pré-determinismo, o fato de não sabermos deteminar o comportamento de uma particula sub-atomica não quer dizer que o comportamento desta não seja deterministico, a Teoria de David Bohm afirma a existencia de variáveis ocultas.[3]

Até que ponto o comportamento aleátorio da particulas afetam o funcionamento do neuronios? Sendo que estes ultimos tem a sua existencia no macro, onde os processos são deterministicos.

Mesmo se levassemos em conta que o aleatório é inevitável, conforme afirmam outras interpretações da mecanica quantica, não haveria espaço para o livre-arbitrio.

O que deve ser analisado é: “De onde que vem as escolhas?”, se tudo que escolhemos vem do cerebro e se os processo neurológicos são deterministicos, a escolha não poderia ser diferente, logo a escolha é ilusória, porém se a escolha vem de processos aleátorios, também não escolhemos nada, pois a escolha se torna totalmente aleatória, logo, mesmo um mundo regido por leis probabilistas não abre espaço para o livre arbítrio.

Para o livre-arbitrio exister deve necessariamente haver um espirito, e esse espirito seria o “eu” de cada um, e este que tomaria as decisões, porém falando cientificamente não temos evidencia empirica nenhuma de espiritos, logo se conclue que o livre arbitrio não existe.

Referências:
[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Simon_Laplace
[2]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg
[3] David Bohm, “A Totalidade e a Ordem Implicada”
Tradução MAURO DE CAMPOS SILVA
Revisão Técnica NEWTON ROBERVAL EICHENBERG
EDITORA CULTRIX
São Paulo
Título do original: Wholeness and the Implicate Order
Copyright © David Bohm 1980 Publicado originalmente por Routledge & Kegan Paul Ltd.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Meritocracia, Contingências e o Escambau



Mesmo entre aqueles que defendem mais arduamente a idéia de liberdade humana, admite-se a existência de contingências, que de alguma forma limitam esta liberdade. Mas, se há liberdade, a meritocracia é justa: obtém o objeto de desejo aquele que mais se esforça para conseguí-lo.

Se pensarmos, entretanto, nas contingências reais, este esforço torna-se menos salutar. Um exemplo seria a inteligência. Há estudos da sociobiologia indicando uma correlação de cerca de 0,54 entre o QI e a genética (1). Podemos pensar, então, que o resto se deve ao ambiente, e este ambiente depende do próprio esforço.

Mas o ambiente também tem contingências. Uma pessoa criada por pais que valorizavam o conhecimento e o esforço para a aprendizagem terá melhores resultados neste setor. Mas, para que os pais se comportassem assim, eles devem ter este mesmo atributo genético e/ou terem sido criados da mesma forma. E assim sucessivamente.

Pela meritocracia, quem não se esforça e/ou não tem inteligência ou capacidade de aprendizagem não conseguirá, por exemplo, entrar numa universidade. Mas se todos estes quesitos dependem de fatores externos ao indivíduo, a conquista depende muito menos dele do que da "sorte". Neste caso, a meritocracia se torna apenas uma maneira ilusória de igualdade de condições, e continua privilegiando os "escolhidos" pela natureza.

No aspecto da inerência:
Normalmente, a inteligência vem acompanhada de curiosidade. Portanto, o fato de ser inteligente vai induzir a criança a criar questões, e essas dúvidas a levarão a procurar conhecimento. As informações também serão melhor compreendidas por aquele que apresenta uma maior capacidade cognitiva.

No aspecto do ambiente:
Os estímulos recebidos dependem enormemente da posição dos pais a respeito, ou seja, se colocam a criança numa escola, se a estimulam a ler, etc.
Os estímulos dependem também do interesse da pessoa em buscar o conhecimento. Se os pais não tivessem o interesse pessoal antes, não se preocupariam em oferecer isso aos filhos.

Mas o interesse da pessoa em buscar o conhecimento está relacionada com a curiosidade, que está, por sua vez, relacionada à inteligência "inerente" e à iniciativa.
A posição dos pais a respeito está relacionada com a própria capacidade cognitiva deles e com os estímulos que eles mesmos receberam, que está relacionado com o próprio interesse anterior deles. É mais fácil os pais se preocuparem com os resultados das crianças se eles mesmos forem inteligentes, e assim por diante. Há uma tendência das variáveis positivas ao "sucesso" se aglomerarem em determinado grupo, e as variáveis negativas em outro, porque muitas delas são interdependentes.

Claro que num sistema meritocrático há a valorização do esforço. Mas a própria iniciativa do esforço entra no mesmo caso. Não há como alguém efetivamente decidir entre ser esforçado ou não.

Isso porque nós somos hoje o que nascemos sendo, inerentemente, e o resultado da interação desse "inerente" com as nossas experiências pessoais.
Um indivíduo não tem como optar por ter outras características genéticas, como não pode optar pelas experiências pelas quais já passou.

Por outro lado, as variáveis que compõem o processo de escolha, de modo externo a este indivíduo, também fogem ao seu controle. Não há como alterá-las.

A maneira como alguém vai interagir com estas variáveis depende que quem esta pessoa é. Depende da sua visão de mundo, da sua maneira de agir (ou evitar a ação), das suas prioridades e valores. Mas tudo isso, que acho que dá para resumir como "visão de mundo", é resultado das contingências passadas, e estas são inexoráveis.

O que ocorre, então, é um indivíduo invariável, determinado naquele instante, interagindo com variáveis também fixas (por mais que numerosas). Se a sua opção entre estas variáveis depende de você, e você é determinístico no momento da escolha, a escolha é ilusória. Você não teria como optar de outra maneira, porque sua concepção de mundo o leva a fazer esta opção.

O homem pode alterar a estrutura genética de alguém que vai nascer. Ele não pode alterar sua própria estrutura de modo a conseguir uma alteração fenotípica. O que você já é, não pode ser modificado nesse exato instante. Se as suas experiências futuras mudarem, você futuramente será diferente. Mas exatamente neste momento todas as experiências são passadas e presentes. Não há como modificar isso.

Portanto, você, agora, é determinado. Não o seu futuro, mas o seu presente. E tudo o que temos efetivamente é o presente.

Portanto, em termos mais simples, dificilmente filhos de pais pouco inteligentes ou “esforçados” serão capazes de serem, por sua vez, inteligentes (nos termos gerais) ou “esforçados”, porque faltará tanto a inerência quanto o estímulo pessoal e externo. Daí, o mérito sempre será daquela "linhagem" que une as condições necessárias.

A meritocracia é considerada como um sistema justo, que proporciona oportunidades iguais. Mas se o esforço pessoal está sujeito a estas contingências que tornam o mérito quase determinístico, a meritocracia é tão justa quanto a competição que ocorre na natureza, sem o juízo da justiça ou igualdade.

Referências:
(1) Plomin, R., DeFries, J.C., McClearn, G. E. M. Behavioral Genetics: A primer. 2a. ed, Ed. Freeman and Company, 1990.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ciencia e Religião



Esse assunto é sempre abordado e me parece que na maioria das vezes ocorre um confusão sobre o escopo de cada uma. Primeiramente vou definir como eu vejo a ciência.

O objetivo da ciencia é conhecer a realidade objetiva (assumindo que é a realidade observada) através do metodo cientifico.

Resumindo o método cientifico: Primeiro se observa o fenomeno. Com base nas observações se faz previções sobre o comportamento deste. E finalmente a falseabilidade é testada. Se for fiel as verificações, assume-se que a teoria é verdadeira até demonstrarem o contrário.

A religião depende da fé, depende do sentir Deus (ou qualquer outra coisa), o metodo cientifico não é subjetivo, qualquer um pode fazer uso dele e chegar no mesmo resultado, independente de suas experiencias de vida ou caracteristicas genéticas.

Uma diferença entre a religião e a ciencia está na questão das teorias metafísicas (explicação sobre o comportamento do que ainda não pode ser verificado), a primeira (religião) não é falseavel enquanto que uma teoria cientifica devem ser falseável, passiva de comprovação empírica. Nesse ponto encontra-se a grande causa das discussões entre ambos os lados. A ciencia tem que se moldar para explicar de acordo com a realidade observada, a religião usa o seu coringa e o encaixa nas lacunas.



A ciencia não tem como objetivo salvar o homem da morte como a religião, a ciencia procura entender o corpo humano, aumentar o tempo de vida é consequencia e pode ser chamado de uso dos conhecimentos adquiridos pela ciencia. Assim como outras ferramentas tecnologicas que podem ser desenvolvidas com base nos conhecimentos adquiridos pelo método cientifico.

Aqui eu faço questão de colocar que muitos confudem ciencia (uso do metodo cientifico) com teorias metafísicas cientificas (como a criação do universo), quando na verdade toda a teoria metafisica carece de comprovação empírica, o que é diferente de uma teoria que já tem sucesso em suas previsões relativas aos fenomenos empiricos.

No caso das teorias metafisicas não existe nenhum metodo diferente para "escolhe-las", porque a escolha será feita com base na sua fidelidade de prever o observado (se ambas forem fieis, a Navalha de Occam toma conta do resto), teorias metafisicas são teorias metafisicas, não cientificas (no conceito do uso do método cientifico).

Um aspecto importantissimo que nunca deve ser esquecido é a questão da religião, diferente da ciencia, ditar um deve-ser relacionado com o comportamento.

Outro ponto é que a ciencia não procura o sucesso social, quem procura adeptos e faz proselitismo é a religião (aqui entra os ateus também), a ciencia busca descrever a realidade observada, se for fiel ao seu compromisso e a descoberta tiver aplicabilidade prática, o sucesso será uma consequencia não um objetivo.

Conclue-se que a diferença filosofica está na metafísica e na maneira que cada uma se comporta para descrever os fenomenos que estão além de verificação. O "conhecimento" que cada uma produz é usado diferentemente pelo ser humano, o cientifico é praticado para desenvolver ferramentas que visam facilitar a vida humana, catalizar os prazeres, e aumentar o tempo de vida, o religioso para resolver os problemas existenciais subjetivos a cada um, esses (problemas) não são resolvidos através da visão niilista da ciência.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A diferença entre afirmar e assumir



Quero fazer uma analise no conceito de "afirmar" e "assumir" e qual a relação de ambos com a aplicação do pragmatismo para conceituar a realidade.


O primeiro ponto é analisar o solipsismo, uma vez que tudo são representações na nossa consciencia, não podemos usar das representações para provar que estas são mais que representações. Assim temos basicamente dois caminhos:
1- Tudo é real;
2- Tudo é ilusão;
Se formos pelo segundo caminho eliminamos com todo o sentido da filosofia e da ciencia, por um motivo pragmatico filosofico e cientifico assumimos como real o primeiro caminho.

O proximo ponto é a questâo da observação, não podemos afirmar que o que observamos é o todo. Posso citar exemplos que essas afirmações foram feitas e não corresponderam como a terra ser plana ou as leis de newton valerem para o todo.Aqui novamente temos dois caminhos:
1- O que observamos vale para o todo até provarem o contrário;
2- Não observo o todo logo não posso concluir nada sobre ele;
Se formos pelo segundo caminho eliminamos com todo o sentido da filosofia e da ciencia, por um motivo pragmatico filosofico e cientifico assumimos que o que observamos vale para o todo.

O terceiro e ultimo ponto é a questao da causalidade de David Hume ao lidar com o futuro, não podemos afirmar que existe um computador na minha frente, pois demora um tempo para as informações externas serem captadas, representadas e interpretadas, como não podemos afirmar que as leis se manteram as mesmas, e o computador na minha consciencia é uma representação do passado, logo não posso afirmar que este existe.Aqui novamente temos dois caminhos:
1- As leis permanecem as mesmas;
2- As leis podem mudar a qualquer momento logo não posso afirmar que o computador está na minha frente;

Se formos pelo segundo caminho eliminamos com todo o sentido da filosofia e da ciencia, por um motivo pragmatico filosofico e cientifico assumimos que o que observamos é o exato presente e que as leis não mudam.

O ponto aqui é o seguinte, existem certos ceticismo que não acrescentam em nada filosoficamente, porque não tem a contribuir com a maneira que analisamos e convivemos com o mundo. Se em qualquer um desses pontos que coloquei seguissimos pelo segundo caminho, estariamos aniquilando toda a historia da filosofia, porque esta seria totalmente sem sentido, uma vez que nenhum filosofo poderia fazer alguma afirmação.

Por um motivo pragmatico filosofico e cientifico assumimos que o primeiro caminho em todos os pontos é verdadeiro. Que fique claro a diferença entre assumir e afirmar, a ciencia assume não afirma, é mutável.

domingo, 9 de novembro de 2008

Sobre a Realidade

Algumas considerações sobre o que entendo por realidade:

É impossivel provarmos que a realidade que formamos é a mesma que está lá fora, não temos como provar a realidade, porque esta apenas nos é possivel como uma representação na consciencia, nao consigo provar que este computador que eu digito tem sua existencia além da sua representação, porém não vejo como tratar de outra forma, essa discussão se resume no pragmatismo.

A partir do momento que tratamos o que nós é dado como existente, partimos para a proxima discussão que é a questao de haver outras faces da realidade ou não.

Sabemos que dependemos do nosso sistema cognitivo para fazer as representações da realidade, realmente é possivel haver outras faces, outras faces é aqui colocado no sentido dos objetos possuirem mais atributos do que aqueles que nós representamos.

Uma vez que estamos limitados às nossas faculdades, e nunca ninguem conseguiu perceber outra realidade além dessa que nos é dada, logo estamos também limitados para afirmar se o que percebemos é o todo ou se é uma parte, dessa maneira não há porque assumir que é uma parte, pois não temos condições, bases para afirmar isso.

Se existem outras realidade eu não sei, mas voce também não sabe, logo qual a vantagem de ficar devagando sobre esses assuntos?

Outra coisa que deve ficar clara é a distinção entre percepção e interpretação.

Coloco a percepção como a absorção de todas as informações externas ao nosso organismo que são captadas pelo sistema cognitivo, ou seja, recebemos ondas de luz de tudo, e tudo é processado no nosso cérebro, tanto que as vezes quando nos lembramos de alguma situação podemos resgatar coisas que não tinhamos "vistos", ou seja, que não haviam sido interpretados, mas foram vistos, foram processados, pois o cerebro conseguiu lembrar depois.

Ou seja, estamos recebendo todas as informações do exterior, porém interpretamos aquelas que conforme a nossa vivencia (cultura, treinamento, e etc.) foram consideradas importantes quando outras passam despercebidas, mas isso não quer dizer que não foram visualizadas.

O exemplo do indio na cidade, ele pode estar na calçada e vai atravessar a rua e não "vê" o semáforo de pedestres, mas não é que ele não viu, ele recebeu as ondas de luz do semaforo, o que aconteceu é que ele não as interpretou, pois a sua vivencia não diz que aquilo é importante. Porém se alguem apontar para o semaforo, ele irá representa-lo como qualquer outra pessoa.

A interpretação da realidade como um todo é subjetiva, ou seja, cada sujeito interpreta (interpretar é no sentido ser uma determinante para “escolher” como agir) algumas informações de todas que são enviadas e captadas por ele. Mas isso não muda a realidade lá fora, esta é independente do sujeito, pois se todos nos focalizarmos num objeto, todos serão capazes de observa-lo.

A partir do momento que criamos aparelhos que possibiltam a medição de ambientes não perceptíveis pelo nossos sentidos, não estamos entrando em outra realidade. Estamos indo mais fundo na realidade que percebemos, porque não deixamos de perceber com os nossos sentidos, apenas criamos aparelhos que são capazes de "amplia-los".

Ao se falar das caracteristicas da "coisa em si", não podemos afirmar que esta tem mais caracteristicas além daquelas que nos é dadas (caracteristicas transcedentais). Temos cinco sentidos, recebemos informações do objetos e atraves do sistema cognitivo somos capazes de interpreta-las, se todos fossemos surdos, conseguiriamos saber que existem as ondas sonoras, porque elas se mostram a partir da visão por exemplo, ou até mesmo do tato, quando voce está perto de uma caixa de som é capaz de sentir as ondas sonoras.

Concluindo, se nao podemos afirmar que o que percebemos é real, mas não existe outra maneira de viver, logo por uma questao de pragmatismo o solipsismo é descartado. E o mesmo pode se dizer à supostas faces da realidade, se não somos capazes de afirmar nada, novamente invoco o pragmatismo e descubro que não tem porque inquirir nada a respeito, pois não somos nem capazes de verificar.

domingo, 2 de novembro de 2008

O pequeno grande ponto bege no infinito azul


Acordo e me vejo preso nas correntes da sobrevivencia que unem-me à este pedaço de madeira milagroso, sou levado pela corrente marítima. Ainda bem que estou vivo e que a tempestade já passou.


Nesse momento começo a pensar, mas imediatamente paro e questiono o porquê de questionar. Filosofar sobre o mundo não tem utilidade prática, não vai mudar em nada a minha condição atual, mas faze-lo é prazeroso e isso ja é suficiente.


Contemplo minha ignorância perante este espelho celeste, enquanto o espelho contempla a dele perante o que este espelha. Ambos insignificantes e indeferentes para o todo.


No meio do horizonte infinito, vejo uma terra de cores claras. Antes ao meu redor só havia o azul, parecia que este era infinito. Era só impressão.


A sensação de prazer que eu tenho ao perceber uma chance de sobrevivencia e ao receber as ondas de luz dessa terra, me fazem perceber que o infinito era uma ilusão que o cíclico nos traz, entendo que o espaço deve ser cíclico também, se fechar nele mesmo, o infinito é um absurdo.


Junto minhas forças e remo em direção à praia, a correnteza me ajuda e não demoro muito para chegar.


A praia é praticamente deserta, com excessão de alguns pequenos arbustos. Nesse momento vejo dois horizontes um azul e um bege.


Morto de fome, procuro algo para comer, vejo um pequeno roedor e consigo pega-lo.


Faço uma fogueira, asso o mais primitivos dos mamiferos, janto o meu parente e me satisfaço. Deito nas areias brancas e durmo.


No dia seguinte acordo cansado e fraco ainda, sem saber o que fazer, que rumo tomar.


Não sei o que me leva, desconheco o porque, mas sei que entro no deserto solitário de areias companheiras...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Qual o sentido da vida existir?


O que é muito discutido é que cada ser vivo tem um papel essencial no mundo, mas papel significa finalidade de existir, e o que na verdade tem uma finalidade real, um sentido objetivo de existir?

Se pensarmos que um ecossistema não muda, é estável, cada ser tem um papel, e este é essencial na cadeia alimentar e na conservação da entropia do ecossistema. Porém os ecossistemas são extramamente mutáveis.

Na verdade nada tem um papel, tudo se adapta, a minhoca por exemplo melhora as condições do solo para poder ser possivel a vida de determinadas plantas, porém se a minhoca deixar de existir, aquelas plantas morrerrão e virão outras que conseguem viver sem a minhoca. (exemplo)

Se pensarmos que os ecossistemas não mudam, cada ser tem um papel que é manter aquele ecossistema, mas os ecossistema mudam e de uma maneira ou de outra, um ser que tem uma função determinado momento se extinguira e outros se adaptarão a nova condição do ecossistema, num movimento constante.

Só existe papel se estabelecermos uma necessidade de permanência, ou seja, para a manutenção de um ecossistema cada ser tem uma finalidade, mas qual o papel da manutenção de um ecossistema? Apenas a sobrevivencia dos seres que existem hoje, ou seja, fugir das transformações.

O mesmo se aplica aos nossos orgãos, estes só tem um papel se a necessidade for a nossa sobrevivencia, é nesse ponto que eu quero chegar, os entes e seres só tem um sentido se estabelecermos uma necessidade, sem necessidade não há razão de existir.

Se na natureza não há nenhuma necessidade, então não há necessidade dos objetos e seres terem um objetivo de existir, dessa maneira não há necessidade para o sentido da vida, logo a busca por um sentido da vida passa a ser um absurdo.

sábado, 18 de outubro de 2008

O presente do Deserto


Não sei o que me leva, desconheco o porque, mas sei que entro no deserto solitário de areias companheiras, à marcha lenta eu ando e o sol não me mata, mas a noite vem me mostrar a sua luz, não sei se é bom ou ruim, na verdade não sei mais o que é bom ou ruim, não sei de nada, mas sei que saberei no fim desse caminho construido nas colinas deserticas.

De repente entro numa viela, parece que algo me antinge incessantemente, é a garoa que cai lentamente e sem barulho, olho para a luminária na rua e só vejo uns finos trechos de agua caindo do ceu, sem rumo eu sei para onde eu vou.

Perco totalmente a noção do tempo e do espaço, o mundo se derrete, e já não conheço mais o meu “eu”, pois eu nunca sou, não consigo pegar o presente. Vejo uma caixa de correio, minha curiosidade me leva até ela, chego perto e pego um pacote bem embalado, e lá estava ele: o presente.

Percebo que o presente estava malpassado, na verdade o presente era malpassado, não existia, tinha acabado de passar, mas como poderia ter uma luminária e uma caixa de correio no meio do deserto? Me parecia ser um sonho.

Acordo no meio do deserto, percebo que a garoa na verdade eram as gotas de suor que percorrem o meu corpo, tinha dormido muito e acordado com o ardor fervente do deserto.

Mas me questiono: e se tudo for um sonho? Quando sonho penso que é real, mas quando acordo consigo diferenciar minhas experiencias oníricas do que meu olhar apanha, mas não consigo provar as imagens formadas na minha consciencia, pode ser tudo um sonho mesmo, mas não vejo vantagem em tratar o que eu percebia como fantasia, não apalpo o pragmatismo, logo coloco-me a caminhar pelo deserto mais uma vez.

Continuo, o deserto é o obstaculo, a mente é a minha aliada e a esperança minha ferramenta, não sei porquê tomei essa decisão, não sei se alguma vez na vida já tomei alguma decisão, será que sou diferente desses grãos de areia que são levados pelo vento desertico? Que vento que me trouxe aqui? Nao sei, desconheço.

No meio dessa aridez me encontro com um sentimento de solidão humana percebo que faço parte do mundo, mas de onde eu vim? E a areia, da onde esta veio? Sei que a areia se formou a partir do intemperismo, quanto tempo levou para formar esse deserto? E eu? Sou tão especial assim?

Me parece que sou igual a areia em sua solidão grupal e estimo que me tornarei uma, aquela que tenta se abraçar a outra quando os ventos sulinos se aproximam tentando leva-las em caravana para longe, mas que no fim é o mesmo lugar.

A tristeza me carrega e sem forças eu marcho, o medo toma conta de mim, nesse momento não tenho controle, percebo que na verdade eu nunca tive, apenas a ilusão de um, tento lutar, mas no fim sou incapaz de vencer as leis que regem esse mundo, deito e esposo meu passado e meu futuro, minha origem e meu presente: as areias do deserto.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A ampulheta da vida e da morte


"Ele pensa que a vida ficou para trás
Então finge que nem liga
Que tanto faz
Oh, não! A vida é como um gás
Só um sopro, só um vento,
Nada mais
E o ar que já lhe passou pelos pulmões
De tão velho já quer ir descansar
Daqui para o futuro falta só um piscar
Que é para o tempo não mais nos enganar
Ele agora vê que o tempo é uma ilusão
E o passado são as linhas em suas mãos
Oh, não! A vida é muito mais
Que os dias, que os deuses, que jornais


(A Verdade sobre o Tempo – Pato Fu)


Sofremos com a idéia da morte pelo desconhecido que ela traz; mas criamos significados, imaginamos uma continuidade da vida em outras esferas, conferimos um aspecto transcendente a ela. Porque? Porque a idéia de não existirmos é mais angustiante do que qualquer mistério. Não concebemos a não existência, não nos conformamos com ela. E a inexorabilidade disto torna o tempo absoluto, senhor de nossas ações. Nos parabenizamos uns aos outros a cada aniversário, por mais um ano em que vencemos a morte. Será que contaríamos o tempo se não fôssemos finitos?

Ao mesmo tempo, o sentido da morte está diretamente relacionado com o sentido da vida. Não há um sentido aparente para a vida. Construímos objetivos numa realidade concreta, mas mesmo estes se tornam absurdos quando confrontados com a certeza de que a vida terá seu fim.

Como diria Vinícius de Morais:
"Ás vezes quero crer, mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Então pergunto a Deus:
- Escute, amigo! Se foi para desfazer, porque é que fez?
Mas não tem nada, não, tenho o meu violão"


Apesar de ser uma eterna e angustiante questão filosófica, a morte é um evento totalmente sensato para a natureza.

O principal responsável pela nossa finitude é uma estrutura que se encontra nas extremidades dos cromossomos, chamada Telômero. Sua função é, principalmente, proteger os nossos genes de serem danificados pelo processo de replicação do DNA. Se nossos genes sofrerem alterações, há uma grande possibilidade de que haja a perda da função normal dos tecidos.

Para que uma célula se divida e, assim, promova o crescimento ou a substituição de outras células perdidas, é necessário que seu DNA seja duplicado. Em um processo normal da duplicação do DNA, a cada divisão celular, perde-se cerca de 150 bases nitrogenadas, e o cromossomo é progressivamente diminuído. Este processo de encurtamento também está relacionado com outros fatores, como agentes ambientais, resíduos metabólicos, stress, e outros.

É aqui que entram os telômeros. Eles estão nas extremidades das fitas de DNA, e são compostos por centenas de repetições da seqüência TTAGGG. Quando ocorre o encurtamento das fitas, as seqüências pedidas são teloméricas. Como não existem genes nos telômeros, este desgaste não significa perda de atividade.

Mas, na maioria das células, os telômeros não são reconstruídos, de modo que são finitos. O tamanho dessas estruturas é variável, mas para que sejam totalmente perdidos (e o desgaste começar a se dar nos genes) seriam necessárias uma média de 150 divisões celulares. Entretanto, após de 50 a 90 divisões, as células atingem o “Limite de Hayflick”, quando os telômeros sinalizam para a célula seu desgaste. Ao receberem este sinal, as células induzem a própria morte (apoptose).

Quando a perda de células se torna maior do que a capacidade de reposição, o indivíduo envelhece, progressivamente. Há um momento em que a perda é tão grande, em conjunto com outros aspectos relacionados à morte celular, que o tecido perde a sua função. Isso faz com que, por sua vez, o órgão deixe de ser funcional e o indivíduo morra.

O que ocorreria se nossos telômeros fossem eternamente reconstituídos? Nossas células seriam imortais, e, a não ser por alguma causa externa (como acidentes e doenças infecciosas), nós também seríamos. Entretanto, existe um outro lado da moeda: nossos cromossomos são constantemente “bombardeados” por agentes capazes de causar mutações. A pior conseqüência disso é o câncer.

Para que haja a formação de um tumor maligno, é preciso que ocorram no mínimo duas mutações, atingindo genes de funções específicas. Como estas mutações são aleatórias, quanto mais tempo um cromossomo permanecer exposto, maior é a probabilidade de que estas duas mutações ocorram. Assim, uma célula imortal chegaria a um momento em que esta probabilidade seria de 100%, de modo que, mais cedo ou mais tarde, se transformaria numa célula maligna. Portanto, quando os telômeros induzem as células à morte, estão, também, minimizando as chances da ocorrência de um tumor.

Surge, aqui, um paradoxo muito interessante. Se resumirmos a história, podemos afirmar que os telômeros limitam nosso tempo de vida para que nossos tecidos permaneçam o maior tempo possível funcionais, e para que as possibilidades de um câncer sejam menores. Mas se nossos tecidos não forem funcionais, ou se tivermos um câncer, morreremos. Então, os telômeros acabam nos levando à morte para nos proteger da morte!!

Mas, se analisarmos em um contexto maior, há uma grande razão para isso.

Qual o sentido da vida? A reprodução.
Isto é bem claro. Perceba o seu próprio corpo, e verá que tudo nele são estruturas que permitem a sobrevivência e reprodução. Lembre-se do processo de adaptação e de seleção natural – o mais apto o é porque é capaz de se reproduzir mais.

Pensando a vida sob esta perspectiva, o paradoxo dos telômeros deixa de ser um paradoxo, e se torna lógico. Os telômeros conferem um prolongamento da funcionalidade dos organismos. Assim, o período reprodutivo é otimizado – tudo funciona bem tempo o suficiente para que o indivíduo se reproduza. Após este período, o indivíduo cumpriu sua função primária. Portanto, vale a pena tornar o indivíduo finito para que ele se reproduza o máximo possível.

É claro que este mecanismo tem óbvias vantagens adaptativas. Se um indivíduo com o tempo de vida limitado pelos telômeros é capaz de se reproduzir mais do que aquele que não o possui, esta regulação será mais freqüente, e, portanto, se fixará na população.
Ou seja, os fenômenos que nos condenam à morte são uma característica adaptativa – praticamente todos os seres vivos possuem telômeros e são mortais.

O que saber disso muda a nossa relação com a morte? Continua sendo terrível lidar com a própria finitude, sendo ela justa ou não. Mas o sentido da morte reflete o sentido da vida. Nos instituímos ingenuamente de uma importância que transcende nossa existência como seres vivos. Precisamos nos instituir de significados maiores do que os da natureza; do que os de nossa natureza.

Mas o mundo é auto-explicativo. E, se nos livrássemos das prisões de nossa subjetividade, muitas das questões filosóficas perderiam a razão de ser – as respostas a elas estavam o tempo todo debaixo de nossos narizes.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Fugindo do absurdo entrando na roda do espaço-tempo


Uma das maiores questões ontologicas é o tempo, o espaço e a causalidade. Quero fazer uma analise sobre as dificuldades de analisa-los e sobre as conclusões que eu cheguei.

A relação entre causalidade e espaço-tempo é notável, principalmente quando analisamos o tempo, ou seja, ou o tempo teve um inicio, ou este sempre existiu, porém ambas hipóteses são absurdas. Vejamos:

- O tempo ter surgido: O tempo obviamente não pode ter sido criado, ou surgido, pois criar e surgir é movimentar, tudo que se move se move a determinada velocidade (espaço/tempo), logo para o tempo surgir o tempo deveria existir a priori. Logo é um absurdo.

- O tempo ter sempre existido: Nesse caso o tempo seria infinitezimal para o passado, logo seria impossível ter chego até esse momento, porque seria eterno no passado. Logo é um absurdo.

A única hipótese lógica, é que o tempo não é uma semi-reta (com uma criação), nem uma reta infinita e sim um circulo, e esse circulo pode ter um comprimento absurdamente grande.

E o espaço assim como o tempo também deve ser ciclico[1], pois como vimos no outro texto, quando chegamos a determinada pequenez, os entes começam a crescer ao inves de diminuir, e o mesmo deve acontecer com o grande. De outra maneira teríamos que conceber uma infinitude de espaço, que também não é lógica, logo é um absurdo.

Se não existe um momento (um ponto no tempo) para a criação do espaço e do tempo, então não podemos falar numa causalidade necessária para estes existirem, pois estes não são entes, são dimensões onde os entes existem.

A causalidade necessita do espaço-tempo para ser lógica, sem o espaço e o tempo não podemos falar em causa, em ação, conclue-se que não existe a possibilidade destes (espaço e tempo) terem surgidos, portanto o espaço-tempo estão num plano acima da existencia, e se eles não podem ter sido criados e não podem ser infinitos, logo são cíclicos.
Referências:
[1] The Classical Universes of the No-Boundary Quantum State
Authors:
James B. Hartle, S. W. Hawking, Thomas Hertog
(Submitted on 11 Mar 2008)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Indivisibilidade, Infinito, Perfeição e Descartes

"Primeiramente quero analisar o conceito que Descartes tinha sobre o “átomo” (do grego = indivisível), que foi a ultima teoria sobre o arche, essa idéia foi válida durante muito tempo, a opinião de Descartes sobre o atomo: “Sabemos também que não podem existir átomos, isto é, partes da matéria indivisíveis por natureza. Pois, se existissem, como teriam de ser necessariamente extensos, por muito pequenos que os imaginássemos, poderíamos dividir em pensamento cada um deles em dois ou mais que fosse mais pequenos e reconheceríamos então que são divisíveis”.

A Teoria-M, a sucessora da Teoria das Supercordas, afirma que as partículas fundamentais que constituem a matéria, (dois exemplos bem conhecidos de particulas fundamentais, são o eletrón e os quarks (que formam os protons e os neutrons)), são na verdade membranas e que de acordo com os seus padrões vibratórios e sua tensão produzem diferentes particulas, e o mesmo pode ser aplicado às forças da natureza (gravidade, eletromagnetismo, força forte e força fraca) que são compostas por particulas, que na verdade são quantidades minimas de energia denominadas quantas, cada quanta equivale a constante de planck.

Resumindo, toda a matéria é composta por um elemento básico: uma membrana, que é indivisivel e que de acordo com a maneira que ela vibra e com a sua tensão, produz diferentes particulas, a natureza é uma música. Agora pergunta-se: porque é indivisível?

Para isso teríamos que analisar o modo que vemos o mundo, enxergamos “porque os nossos olhos colhem e enviam para o cérebro informações transmitidas por fótons que ricocheteiam nos objetos que olhamos. Os aceleradores de partículas também se baseiam no mesmo princípio: eles lançam partículas de matéria umas contra as outras, assim como contra outros alvos, e detectores de alta precisão analisam a chuva de estilhaços para determinar a arquitetura dos objetos envolvidos.”. Abaixo coloco uma foto que melhor exemplica:



Temos que conhecer o Principio de Heisenberg para entender o proximo passo, sabemos que quanto maior a energia (menor comprimento de onda) tiver um feixe de fotons lançado, maior será a precisão quanto a posição da particula sondada e quanto as suas caracterisiticas. Ou seja, aumentando a energia, aumentamos a capacidade de “olhar” distancias menores. Porém, “em 1988 David Gross, então na Universidade de Princeton, e seu aluno Paul Mende mostraram que quando se leva em conta a mecanica quântica, o aumento progressivo da energia de uma corda não leva ao aumento progressivo da sua capacidade de sondar estruturas menores, o que constrata diretamente com o que acontece com uma particula puntiforme, eles verificaram que quando a energia de uma corda aumenta ela é inicialmente capaz de sondar estruturas de escalas menores, tal como uma particula puntiforme com alta energia. Mas quando a energia aumenta além do valor requerido para sondar estruturas na escala da distância de Planck, a energia adicional não produz resultados favoráveis. Ao contrário, ela faz com que a corda cresça em tamanho, o que diminui a sua sensibilidade para as distancias curtas”. Logo, chega-se a conclusão que se a partir de uma distancia minima (Escala de Planck) nada pode ser afetado, então concluimos que este algo é o ultimo tamanho mínimo possivel, logo é indivisível, pois tudo que diminui irá aumentar.

É difícil entender isso se olharmos as partículas elementares a partir da visão mecanicista que o próprio Descartes inaugurou e Newton colaborou muito, porém a partir da mecânica quântica percebemos que não existem essas particulas puntiformes, o experimento da fenda dupla é uma maneira fácil de entender, as particulas elementares podem ser tratadas como partículas ou como ondas, depende de como convem para a física, não devemos pensa-las como pequenos grãos (como fez Descartes), pois não é isso que elas são, logo as membranas não podem ser divididas nem no pensamento (se você estiver pensando certo).

Para quem quiser obter mais informações, coloquei um trecho do livro “Universo Elegante” de Brian Greene, acho interessante dar uma lida no link.

Se as membranas não podem ser divididas, então elas não tem partes e são indestrutíveis, perfeitas e também não podem ter sido “criadas”, ou seja, feitas a partir de materiais menores, dado que segundo Lavosier “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, logo, elas sempre existiram, se elas sempre existiram elas são infinitas.

Logo se a ideia de infinito pode partir do ser, dado que este é composto por partículas (membranas) infinitas, então não podemos concluir de maneira alguma que a ideia do infinito seja uma “marca divina”, logo não há provas que Deus existe, e Descartes não conseguirá concluir mais nada do que: “Penso, logo existo”, e permanecerá no solipsismo."

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Filosofia, Linguagem e Subjetividade


A filosofia deve ser tratada como uma ciência, e uma ciência além de ter termos específicos não pode fazer uso de adjetivos.

Na ciencias exatas por exemplo, não vemos em nenhum lugar uso de adjetivos. A linguagem científica é objetiva, a filosofia, a mãe da ciência, a mãe da lógica deve ser objetiva, pois quando caimos na subjetividade não podemos concluir nada.

Quando queremos descrever uma cadeira, podemos descrever-la de duas maneiras:

A cadeira tem quatro pernas, um encosto, o banco tem o formato de um quadrado com 50 cm de lado e 3 cm de espessua e mas milhões de características.

E podemos colocar um conceito de valor, subjetivo, a cadeira é confortável.

Porém, confortabilidade é um conceito relativo ao ser, assim como todo adjetivo. Qualquer discussão filosofica perde o enfoque e consequentemente o escopo, ao ser reduzida a adjetivizações.

Os adjetivos são como a arquitetura de um prédio, é impossivel avaliar um prédio a partir de sua arquitetura, esta é totalmente subjetiva, se várias pessoas compararem a arquitetura de dois prédios, a opinião sobre o mais belo sera diferente. Porém se for comparado qual fundação suporta mais peso, se todos fizerem os teste devidamente, todos obterão a mesma resposta.

Filosoficamente fazer uso de adjetivos, ou seja cair na subjetividade é o mesmo que nadar contra a correnteza na mesma velocidade.

Linguagem e Sentimentos

É impossivel descrever um sentimento, uma sensação, pois esta é subjetiva ao ser, porém conseguimos nos comunicar, quando eu escrevo uma palavra que significa um sentimento, eu consigo transmitir algo para o receptor, logo existe um significado consensual, algo objetivo, uma mensagem que comum dentro da palavra, é isto que torna possivel a comunicação.
Por exemplo, quando eu digo: “Estou com dor no braço”, de maneira alguma eu consegui transmitir a sensação que estou sentindo, porém quem recebeu a frase, pode compreender em parte o que voce está sentindo, e essa compreensão é comum à todos.

A partir do momento que a sensação é subjetiva e relativa, tentar sintentizar a própria sensação se torna redundante e irrisório, e o objetivo se torna descrever a reação que a sensação causa no ser, porque esta pode ser definida objetivamente.

Se fosse definir dor usaria essa frase: “A dor é uma sensação desagradável que procuramos eliminar”. Eu não defini o que é sentir dor, pois não existe uma sensação comum, a dor depende do objeto que a causa e do sujeito que a sente, o mesmo acontence com os outros sentimentos, porém, podemos definir a reação objetivamente.

Poderia usar esse metodo e definir outros sentimentos, é um processo simples, porém não é o escopo desse texto fazer isso, estou interressado em definir o amor, um sentimento que sempre é muito discutido.

Conforme eu coloquei antes, e faço questão de repetir, é impossível definir como é estar amando, pois a sensação é relativa ao sujeito que ama e varia conforme o objeto amado. Dizem que os poetas são os que chegam mais perto de definir o amor, e eu digo que quem diz isso se iguala aos poetas e sua subjetividade, pois estes não chegam perto de defini-lo, nunca encontrei nenhum que definisse ou que chegasse perto de definir a sensação que eu sinto quando estou amando, o que eu vejo é o uso de metáforas e um jogo de palavras que mexe com os nossos sentimentos, mas não defini objetivamente o que é amar.

Filosoficamente, o que interressa é uma descrição objetiva, voltando no começo e usando o metodo que fiz para descrever a dor, temos: “O amor é um gostar elevado, não apenas querer estar junto, mas também querer preservar o objeto amado”.

domingo, 21 de setembro de 2008

Sonhei com você!

SOLIPSISMO (in. Solipsism; fr. Solipsisme, ai. Solipsismus; it. Solipsismo): Tese de que só eu existo e de que todos os outros entes (homens e coisas) são apenas idéias minhas. Os termos mais antigos para indicar essa tese são egoísmo (cf. WOLFF, Psychologia rationalis, § 38; BAUMGARTEN, Met., § 392; GANUPPI, Saggio filosófico sulla critica delia conoscenza, IV, 3, 24, etc), egoísmo metafísico (KANT, Antr., I, § 2) ou egoísmo teórico (SCHOPENHAUER, Die Welt, I, § 19). Kant empregou o termo Solipsismo para indicar a totalidade das inclinações que produzem felicidade quando satisfeitas (Crít. R. Prática, I, livro 1, cap. III; trad. it, p. 85); esse mesmo termo foi empregado para indicar o egoísmo metafísico por alguns escritores alemães da segunda metade do séc. XIX (cf. SCHUBERT-SOL-DERN, Grundlagen zu einer Erkenntnistheorie, 1884, pp. 83 ss.; W. SCHUPPE, Der Solipsismus, 1898; H. DRIESCH, Ordnungslehre, 1912, pp. 23 ss., etc). Freqüentemente, o Solipsismo foi declarado irrefutável, pelo menos com provas teóricas: tal era a opinião de Schopenhauer (loc. cit), muitas vezes repetida (cf. RENOUVIER, Les dilemmes dela métaphysique purê, 1901; A. LEVI, Sceptica, 1921; SARTRE, Vêtre et le néant, 1943, p. 284). Foi a aceitação (explícita ou implícita) dessa tese que por vezes levou a adotar o Solipsismo como ponto de partida obrigatório da teoria do conhecimento (cf., p. ex., DRIESCH, Op. cit., p. 23) ou como procedimento metodológico (SCHUBERT-SOLDERN, Op. CÜ., pp. 65 SS.). “ (1)



É comum ouvirmos de crianças o questionamento sobre a concretude da realidade. Não poderíamos estar sonhando? Será que você existe mesmo, ou faz parte do meu sonho?
Nós, adultos, costumamos estabelecer esta filosofia infantil como ilógica. Mas ela remete a um questionamento filosófico antigo e amplamente discutido, de uma razão estarrecedora: o solipsismo.

Qual a diferença entre estarmos sonhando e o mundo só existir em nossa mente? Se estamos sonhando, criamos toda a realidade, e não há necessariamente nada além dessa realidade. Ou seja, tudo existe em sua mente, apenas. Então, a realidade seria mesmo completamente subjetiva.

Mas esta subjetividade é não relativista, porque admite a existência de apenas um único sujeito criando toda a realidade, e não vários sujeitos, criando realidades próprias. Como inferir que há outros sujeitos, se sonhos são absolutamente próprios?

Um bom argumento contra a realidade dessa situação é o fato de que nossa imaginação é limitada. Sonhamos com o que experimentamos. Mas, então, teríamos que considerar que sonhamos objetivamente com o que vemos, e não é exatamente assim.

Por exemplo, se considerarmos que os deuses no decorrer da história foram criados. De onde teria surgido essa idéia? Não temos nenhuma elementação concreta para divindades. Os questionamentos e a sensação do exótico podem ter levado a criá-la, mas como criar algo que não existe em absoluto no campo das percepções? Como ter a idéia de abstração?

Nós temos a capacidade de unir idéias que ainda não se formaram totalmente e que, juntas, completam-se mutuamente. Estas idéias não-prontas nada mais seriam do que percepções incompletas, pensamentos abandonados, entre outras coisas. Quando estas idéias se unem, elas originam um elemento absolutamente diferente, que nos parece estranho. E isso dá a impressão de que aprendemos algo novo. Como num "insight".

Se A + B gera C, o C normalmente não é percebido como decorrente de A + B, por ser um elemento efetivamente diferente. É a capacidade combinatória do Witz, decorrente do conceito estabelecido por Freud.
(2)

Então, você pode estar agora lendo coisas sobre as quais não tinha pensado, mesmo sonhando.

Se considerarmos que você nunca esteve acordado, o A e o B podem ser pensamentos. A associação destes pensamentos soltos poderia criar a realidade percebida, através do Witz. E como quem criou a realidade teria sido você mesmo, todas as pessoas presentes no seu sonho compartilhariam dela, porque você as criou também como parte desta realidade.

Não há zero experiência, porque há a sensação de sua própria existência. A partir do momento em que você existe, há alguma coisa como ponto de partida. As idéias podem ter se combinado, e gerado novas, até estruturar toda a realidade.

Outra questão é a que o fim último desta hipótese seria "eu criei a realidade assim". Mas, do mesmo modo, um teísta pode responder a todas as perguntas com "Deus criou a realidade assim", e um ateísta poderia fazer alusão ao absurdo da existência, tirando o sentido conseqüente de qualquer outra coisa.

Se o "eu" faz parte do sonho, cai-se no problema de quem é o sujeito que está sonhando.
O sujeito que está sonhando deve ter criado a sí próprio (enquanto sujeito) e, a partir daí, criado a realidade onírica. O sujeito, portanto, é "Deus". A diferença é que, no caso, Deus seria você mesmo, enquanto indivíduo, e não algo externo a você. E chega-se ao mesmo problema existencial que temos com ou sem realidade concreta.

Isto não significa, entretanto, que você tenha controle sobre esta realidade. Como não tem controle total sobre o seu corpo ou sobre seus pensamentos. E também não significa que você necessariamente compreenda a estrutura de tudo o que foi criado, exatamente porque não tem controle sobre a sua mente. Seus próprios pensamentos não são controlados por você, seus sonhos não são controlados por você. Porque uma realidade criada em sua mente deveria necessariamente ser? Assim, você é obrigado a viver as regras da realidade que criou. Não tem como mudá-las.

E mesmo com esse impasse existencial, as questões sobre como se estrutura a realidade persistem.

Entretanto, mesmo sob o ponto de vista materialista, toda a nossa percepção da realidade se dá através dos sentidos e da lógica. Não dispomos de outras ferramentas para isso. Então, tudo o que é real e concreto tem sua parcela de subjetividade, porque a informação tem que ser processada em nosso cérebro, passa por nós. Concretamente, o que dispomos é de estímulos neuronais. Se esta resposta é em decorrência de um estímulo externo ou se ela é independente, a percepção é a mesma. Se tudo passa pela subjetividade, mesmo a sua idéia da existência dos outros, do social, é subjetivo. Remete a você.

Não há, portanto, como se provar que exista algo além de você mesmo.

Por outro lado, para determinar a existência de algo, deve-se partir do princípio de que este algo não existe, até que dê provas de sua existência. Não podemos provar que algo existe só porque não dá provas da inexistência, porque a inexistência não deixa provas!

Se eu te digo: existem gnomos no jardim. Como você vai fazer para descobrir se é verdade? Você vai procurar evidências desta existência. Se não há evidências, vai concluir que os gnomos não existem. Se não há provas da existência de uma realidade concreta fora da sua mente, não há, portanto, motivos para inferir sua existência.

O solipsismo pode, no entanto, promover um pensamento circular. Se o sistema de regras metafísicas só existem em sua mente, significa que eles não são reais concretamente. Mas para que você faça alguma inferência a respeito da realidade, é preciso usar premissas. E estas premissas devem ser obtidas a partir do que indubitavelmente é real. Portanto, se a realidade só existe em sua mente, suas premissas não são confiáveis. E se elas não são confiáveis, você não pode estabelecer que a realidade só existe em sua mente.

Mas se não há absolutamente nada além da realidade criada por sua mente, se só você existe, as premissas se tornam confiáveis. Afinal, o criado passa a ser concreto, porque é a única realidade existente. E qualquer inferência que você faça a partir da realidade usando suas premissas irá descrevê-la. Afinal, não há nada além daquilo que foi criado.

A grande questão que permanece é: se o solipsismo é de uma razão plena, porque “intuímos” que ele é absurdo?




Referências:


(1) ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontex, 1998.

(2) CAVALHEIRO, F. Sincronicidade e Witz. Rubedo – Revista de Psicologia Junguiana e Cultura, 3: 9, 2001.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Moda e Adaptação


Analisando as sociedades primitivas, vemos que o uso de adornos definia a posição do individuo na tribo, desde os primórdios, muito antes do capitalismo estar na moda, usar roupas ou adornos dificies de se conseguir (hoje são os caros) era algo procurado pelo ser humano.

Hoje há uma "mistura" de modas, ou seja, há diversos grupos que se vestem de maneira diferente e que convivem na mesma sociedade, claro que há a moda “principal”.

Percebo que instintivamente o ser humano tem a necessidade de querer se enquadrar socialmente, não digo no grupo “principal”, mas em qualquer grupo.

Se o individuo não se preocupa com a moda, é apenas uma maneira de ele mostrar como ele se porta perante a sociedade, ele quer mostrar para os outros que ele não se importa com os valores sociais, querendo se destacar.

O ser humano tambem tem essa caracteristica, querer se destacar, mas tambem tem a caracteristica de querer se enquadrar, mas percebe que o destaque visa o enquandro, o individuo quer se destacar para ser admirado por ter personalidade.

É possível que primitivamente não existissem individuos que resolviam se vestir completamente diferente, porque ele não seria aceito por um grupo diferente, pois não havia um grupo diferente.

Mas a partir do momento que ir contra a sociedade e seus valores te trará aceitação em determinado grupo, então é interressante para ser aceito.

Porém, todos se preocupam com a aparencia, uns preferem transparecer, outro preferem aparecer.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Lógica, Dialetica, Movimento e Causalidade no Inicio do Universo

A teoria do Big-Bang, é a teoria de que o universo surgiu de um ponto inicial, que continha todo o conteúdo do universo inclusive o espaço e o tempo, e que “existia” no meio do nada. E de repente, esse ponto começa a expandir até chegar no que temos hoje.

As observações feitas pelo telescópio Hubble indicam que o tecido espacial está se estirando, logo voltando no tempo o tecido espacial estaria cada vez menor (e com uma densidade maior), até voltar para um ponto, indicando dessa maneira que o nosso Universo teve um começo.

Filosoficamente e logicamente é inconcebível pensar numa criação do universo a partir de um ponto no meio do nada. Como disse Heráclito “Tudo Flui” e Lavosier “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Sem contar que a “explosão” precisaria de uma causa, mas para haver uma causa deveria existir o tecido espaço-tempo antes da explosão, mas este “nasceu” junto com a explosão, logo esta teoria do grão primordial vai contra o princípio da causalidade.

A Teoria-M traz uma ideia de que existem múltiplos universos sendo cada um uma membrana, e que o Big Bang teria sido o choque entre dois universos (duas membranas). Me parece uma teoria lógica, porque ao mesmo tempo que ela não esbarra nas observações feitas esta também tem dialética e movimento.

Para concebermos o ponto teríamos que acreditar que este estava parado, e isso não me parece ser possível. Pois tudo está em movimento, em transformação, não existe nada parado e penso que não existe o nada.

Tendo um conjunto de Teorias que tentam explicar certos aspectos do nosso universo, tanto no micro, como no macro, ou como na singularidade, sendo todas essas teorias apenas especulações, penso que a Teoria-M, por apresentar dialética e movimento, sem contar com as suas previsões matemáticas, se aproxime mais da realidade.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A idéia de Deus

Deus existe ao menos como idéia. Se não, não se discutiria tanto sobre Ele. Quem discute, discute sobre algo. E este algo, a princípio, é uma idéia.

Os teístas colocam a fé como prerrogativa necessária para "aceitar Deus". "Aceitar Deus" é ter fé. Não é preciso ter fé para aceitar a existência de algo concreto. Portanto, esta prerrogativa confirma a existência de Deus situada apenas no plano das idéias. Existir como idéia é uma existência.

Se existe apenas como idéia, trata-se de algo que por sua própria natureza não pode ser provado empiricamente. Portanto, provar a inexistência de Deus apenas confirma sua existência. Ou seja, confirma que para "aceitar Deus" é preciso ter fé. É claro, porque quem busca provar Sua inexistência não tem fé, e, portanto, Deus não se mostrará.

Há, ainda, a premissa de que Sua existência não pode ser provada. Então, não encontrar evidências da existência de Deus não significa que Ele não exista.

Por outro lado, é impossível provar a veracidade da inexistência de algo, porque a inexistência não deixa rastros. Alguém só pode provar que não há evidências desta existência. Mas o fato de não haver evidências não significa necessariamente que algo não exista.

Volta, portanto, dentro da lógica, à questão da fé. Há a existência na forma de idéia. Se esta idéia faz sentido para alguém, então Deus passa a ter uma existência mais concreta para este alguém. Se a idéia não faz sentido, Deus passa a ter existência como uma idéia alheia.

Mas Deus sempre existe, seja como idéia própria, seja como idéia alheia.

Do ponto de vista materialista, uma idéia corresponde a um estado físico. Portanto, se Deus é uma idéia, Ele existe fisicamente.

Se Ele existe como uma idéia, Ele é onisciente. Claro, Ele está na mente, e a mente “sabe” tudo o que o indivíduo fez – pois ela é a própria consciência.

Do mesmo modo, Ele é onipresente.
Podemos interpretar que o mundo está mesmo em nossa mente, como materialistas, porquê a única coisa que nos faz perceber o mundo são as conexões neurais. Assim, eu não posso saber com certeza que esta mesa existe fora da minha mente. Afinal, a “mesa” que percebo é um estado físico no meu cérebro. A mesa, então, é onipresente, porque está em minha memória. E não há uma diferença real entre eu perceber a mesa e eu me lembrar da mesa. Apesar da sensação ser diferente, ambos os casos correspondem a estados cerebrais – portanto, têm a mesma natureza. Assim, sempre que eu me lembrar da mesa, de alguma forma ela estará lá. O mesmo se dá com Deus, pois Ele é uma idéia que está na memória. Sempre que se fizer algo em Seu nome, Ele estará lá.

Deus também é onipotente. É diferente de uma mesa, pois a mesa não é considerada onipotente, apesar de ambos existirem como idéia. Mas o homem é feito à imagem e semelhança de Deus. Deus é perfeito, e o homem não. Portanto, a idéia de Deus corresponde ao ideal do homem de perfeição. A maior frustração humana são seus limites. Se Deus é perfeito, não tem limites. Portanto, Deus só pode ser onipotente. E Sua onipotência é demonstrada quando todos os eventos são colocados sob a luz da lógica. Quando usamos da lógica, todas as coisas têm um sentido. Ou quase todas. Assim, a onipotência de Deus é percebida quando associamos á lógica à esta idéia. Quando não conseguimos entender, afirmamos que Deus escreve certo por linhas tortas – ou seja, intuo que há uma lógica subjacente no evento, mesmo que eu não a compreenda.

Portanto, Deus existe, tem uma existência física subjetiva, é onipotente, onipresente e onisciente, o homem existe sob sua imagem e semelhança, e é perfeito, apesar de nem sempre compreendido. Assim como prega a bíblia.

Livre-arbítrio II


Analisando o ser humano de maneira cética, ou seja, esquecendo a possibilidade de termos espíritos ou almas e olhando para nós como um amontoado de atómos no espaço-tempo. Não existem escolhas.

Se jogarmos uma maça para o alto e soubermos todas as variáveis que influem no comportamento da maçã somos capazes de calcular a trajetória da mesma. A diferença entre uma maça e os processos internos de um cérebro é que o segundo é muito mais complexo que o primeiro.

Ainda não conseguimos reduzir toda a biologia em química e toda a química em física. Mas o que podemos dizer é que tudo são processos físicos e esses são determinados pela historicidade e podem ser previstos se soubermos todas as variáveis.

Uma maneira de entender é analisar a possibilidade que vem sendo considerada do teletransporte, um transporte que não estivesse condicionado com a distância ao lugar que desejamos ir, seria a desintegração de um corpo em um lugar, durante esse processo seria codificado todo o corpo (ou objeto), as informações (a codificação) poderiam ser transmitidas através do entrelaçamento quântico e o corpo seria "montado" em outro lugar.

Se somos apenas algo no espaço-tempo entre o micro e o macro, nossas escolhas são ilusórias.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Felicidade


A felicidade é uma sensação que sentimos, uma sensação boa, prazerosa. Porém qual o motivo de nos sentirmos felizes e o que traz a felicidade? A única maneira de responder essas perguntas é analisar a formação do homem.

Sabemos que os prazeres que sentimos estão diretamente relacionados com nossas necessidades, ou seja, sentimos prazer nas coisas que eram e são importantes para sobrevivência individual ou coletiva da espécie.

Nos sentimos felizes quando temos capacidade de satisfazer os nossos prazeres, estes estão relacionados com as necessidades individuais e sociais da nossa espécie, comer é um prazer, essencial para a sobrevivencia de cada um, assim como o prazer pelo sexo é essencial para a sobrevivencia da espécie.

Ao mesmo tempo que precisamos estar livres do outros individuos, porque isso diminui a concorrencia pelos prazeres, também é importante gostarmos de estar com os outros e sermos aceitos pelos outros.

Isso fica claro ao analisar qualquer grupo, ao mesmo tempo que dentro do grupo existe uma briga, que é chamada de uma disputa intra-especifica, que é interresante para o grupo porque esta briga elimina os “fracos” (menos adaptados) e os “fortes” (mais adaptados) sobrevivem, logo aumentando a força do grupo. Porém, quando esse grupo entra em guerra com outro grupo, é interressante que ocorra uma união e a disputa interna fique para trás. Logo, se conclui que ambos são importantes.

Todos procuram ambos: aceitação e liberdade, porque ambos são importantes para a sobrevivencia, e ambos estão ligados com o conceito de felicidade. Ou seja, precisamos de dinheiro e poder, porém precisamos de "amor" (união) também. Ambos são importantes e ambos trazem felicidade, por isso que acho que a busca correta, não é escolher um dos dois e sim ter o equilibrio.


A felicidade e os prazeres é uma maneira autonoma, “criada” pela natureza, para fazer com que os individuos repetissem uma ação, e como um método de comunicação, quando sentimos dor, normalmente gritamos, e quando sofremos choramos, isso são maneiras de alertar o grupo. Assim como a felicidade é uma maneira de verificar se o individuo é “bem adaptado” (individualmente e socialmente), logo é uma característica de selecionar parceiros, quando procuramos um parceiro tanto na amizade como sexualmente falando, procuramos alguem que seja feliz, que irá nos trazer felicidade, porque os tristes, depremidos não são interessantes, a não ser que nos acompanhem na amargura.

Assim como o livre-arbitrio, ocorre uma tendencia de ir contra as explicações baseadas na ciencia para explicar os nossos sentimentos, porém a proposta não é falar algo bonito, poético e sim explicar como funciona, quais são os momentos mais prazerosos na vida de alguem? Não é quando nasce o filho, quando fazem sexo com alguem que consideram “bem adaptado”, quando se realizam pessoalmente, quando estão convivendo socialmente, quando o filho se realiza tanto individualmente como socialmente. Logo percebemos que é um fato, a felicidade está relacionada com a sobrevivencia da espécie.

Mas nunca estamos sempre felizes, a felicidade é como a fome, comemos e nos saciamos, mas o tempo passa e precisamos comer de novo. O que é muito discutido é que essa característica da felicidade ser insaciável, não ser eterna, é um problema, quando na verdade não é. Se não tivéssemos fome, não teríamos o prazer em comer, logo eu prefiro sentir fome, porém depois sentir o prazer em comer do que não sentir nenhum dos dois.

O sofrimento e a dor não são problemas, são as maneiras que a natureza encontrou do homem sobreviver, logo não aceitá-los é não se aceitar.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Livre-arbítrio

Todos devemos tomar decisões nas nossas vidas, essas são limitadas pelo meio em que vivemos, mas essas decisões que fazem uso da razão para decidir entre o melhor e o pior são tidas através de observações passadas e do instinto. Até que ponto realmente escolhemos alguma coisa?

No momento que o espermatozóide fecunda o óvulo, ocorre a fusão entre os genes do homem e da mulher. Nesse momento há um processo biofísico que define as características biológicas do ser, durante a gestação e depois do nascimento o ser se encontra num meio. Logo quando nasce o meio o influencia, uma maneira de explicar de forma mais detalhada é usar um exemplo de gémeos siameses, por mais que geneticamente sejam idênticos estão em posições diferentes no útero, um sai primeiro que o outro, ficam em camas diferentes sentam em janelas diferentes no carro e todos os mínimos detalhes que influem no “lado” social do ser. Se o mesmo individuo nascesse na Idade Média este seria completamente diferente.

Imagine um nenê, todas as suas “escolhas”: chorar ou não, defecar ou não, são praticamente tomadas pelo bio (instinto), o meio (social) vai influenciando-o conforme este cresce. A pessoa é definida pelo bio e pelo meio, mas ambos não foram “escolhidos” por ela, pois nem existe essa possibilidade, uma vez que o ela é o bio-social (instinto-meio). Se todas as escolhas são definidas pelo bio (instinto) e o pelo social (meio) e não existe possibilidade de escolher nenhum dos dois, não existe escolha.

Por outro lado, as variáveis que compõem o processo de escolha, de modo externo ao indivíduo, também fogem ao seu controle. Não há como alterá-las.

A maneira como o indivíduo vai interagir com estas variáveis depende que quem esta pessoa é. Depende da sua visão de mundo, da sua maneira de agir (ou evitar a ação), das suas prioridades e valores. Mas tudo isso, que podemos resumir como "visão de mundo", é resultado das contingências passadas, e estas são inexoráveis.

O que ocorre, então, é um indivíduo invariável, determinado naquele instante, interagindo com variáveis também fixas (por mais que numerosas). Se a opção entre estas variáveis depende do indivíduo, e este é determinístico no momento da escolha, a escolha é ilusória. O indivíduo não teria como optar de outra maneira, porque sua concepção de mundo o leva a fazer esta opção.

Portanto, a partir do momento que somos restritos às contingências, não há de fato livre-arbítrio.

Liberdade

A Liberdade realmente existe? Para discutirmos a possibilidade de atingir tal estado, temos que levar em consideração todas as variáveis que envolvem esse conceito.
A primeira liberdade que vem à cabeça é a de ir e vir, os prisioneiros não possuem essa liberdade pois estão condicionados ao tamanho da cela, mas também estamos condicionados à natureza, ou seja, não podemos ir para todos os lugares que queremos a hora que queremos, estamos condicionados as leis da natureza que não conseguimos "superar", e a maioria de nós financeiramente presos para usar as tecnologias que já foram desenvolvidas.

E podemos ainda colocar que estamos presos as pessoas que são íntimas em nossas vidas, como nossos cônjuges, amigos e principalmente os filhos, se buscar a liberdade significa buscar a possibilidade de satisfazer os prazeres, e estar com um filho é um prazer, então temos um paradoxo, pois de um lado temos o prazer da liberdade e do outro o prazer em estar com o filho. Viver sozinho e não ter filhos é ter liberdade, mas de qualquer maneira caímos no paradoxo, pois a felicidade está condicionada ao social, e a busca por liberdade tem como escopo a felicidade então caímos no paradoxo.

Do mesmo modo que os instintos são necessários à sobrevivência, a formação de uma sociedade também é. E, mais que necessária, também pertence ao campo dos instintos. A espécie humana é muito social, e este aspecto foi um dos determinantes na nossa capacidade de adaptação e dispersão.

E toda espécie social, mesmo entre os animais, possui suas regras, que muitas vezes constituem paradoxos, assim como as nossas. Por exemplo, uma matilha de cães tem um macho dominante, e este é o único que tem o "direito" de se reproduzir. Mas os outros cães também possuem o instinto de se reproduzir. A regra social da matilha, então, entra em conflito com os outros instintos mais básicos (individuais) da maioria dos indivíduos que a compõe.

Mesmo que houvesse a possibilidade de viver feliz sem a presença de qualquer ser, estamos condicionados naturalmente às nossas necessidades, e todas essas nos proporcionam prazer, estamos presos à fome por exemplo, não podemos ir para lugares onde não é possível obter alimentos, assim como não podemos comer tudo que queremos pois podemos morrer ao comer um cogumelo venenoso."

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Egocentrismo do Altruismo



Altruísmo é fazer uma ação pensando no bem do próximo, e egocentrismo é fazer uma ação visando o seu próprio bem. Se analisarmos superficialmente chegaremos a conclusão que são opostos. Porém na verdade não é, qualquer ação feita por um indivíduo acontece pois este a considera certa. Não existe nenhuma ação sem ter como escopo o bem do “eu” (ego).

O altruísmo na verdade tem como fundo o instinto de sobrevivência da espécie como um todo. Os indivíduos que ajudavam os outros, que formavam grupos unidos tinham maior chance de sobrevivência e transmitiam o prazer em ajudar o próximo, ou seja, o indivíduo que ajuda o outro sente prazer nesse ação e a repete. Entre animais, muitas vezes o altruísta realmente se sacrifica pelo grupo, é aquele macaco que se expõe aos predadores para desviar a atenção enquanto o resto do grupo foge. O grupo que possui mais indivíduos como este tende a ter maior chance sobrevivência. Então, apesar de não ter uma vantagem adaptativa individual, esse indivíduo altruista tem menores chances de se reproduzir do que os outros dentro do grupo, por isso são poucos, mas os grupos que proporcionam maiores chances deste se reproduzir sobrevivem mais que os outros grupos.



Porém isso acontece quando temos muitos recursos, espaços, quando não há muita competição, nesse caso há uma maior união, se analisarmos as sociedades primitivas percebemos isso de maneira clara. Porém com o aumento populacional ser altruísta não é tão importante quanto ser egoísta, defender apenas a sua pessoa e a sua família, é uma garantia maior de sobrevivência, pois há uma maior competição, um aumento na dificuldade para obter os recursos necessários para sobreviver.

Por isso que vemos cada vez mais o incentivo de ações altruístas, conforme o aumento populacional ocorre a necessidade (individual) de ser egoísta para poder ter recursos e sobreviver, assim como a necessidade (social) de propagar o incentivo da distribuição destes (recursos) para a espécie sobreviver. Se ser altruísta é considerado uma virtude, então há um impulso para a pessoa realizar tal ação, mas não são todos que continuam, pois geneticamente não são todos que tem maior prazer em ajudar os outros (social) do que se realizar pessoalmente (individual).

O Moderno Coliseu


Na natureza, a violência é comum e toma vários aspectos. A competição por interferência, que pode se dar tanto entre como dentro de uma espécie, ocorre quando indivíduos interagem diretamente, competindo por alimento ou espaço territorial, ou, ainda, pela reprodução sexual, quando na mesma espécie (3). Esta luta muitas vezes significa a morte do “opositor”. Há, ainda, outros casos mais específicos de violência entre os animais, entre os quais podemos citar, como exemplo, os machos que, ao se tornarem dominantes, eliminam os filhotes do macho dominante anterior, alguns casos de parasitismo, predadores, e até mesmo relações sexuais onde o macho se torna alimento para a fêmea.

Os ancestrais hominídeos, que deram origem ao homem, a partir do gênero Homo, eram caçadores que competiam com outros carnívoros (4). Além disso, é visível aos olhos de qualquer observador a violência implícita à sociedade humana atual, apesar desta ser culturalmente condenada em diversos grupos.

Nenhuma cultura duradoura pode ser apenas um agregado de tradições aprendidas independentemente; é, antes, um sistema historicamente formado de regras de vida explícitas e implícitas, e o comportamento é evidentemente moldado por esta cultura (1). Os valores que constituem os alicerces da sociedade, portanto, fundamentam as regras sociais e determinam o comportamento dentro desse âmbito. Entretanto, não há nenhum "dever-ser" necessário nestes valores. Eles não existem fora da sociedade, de modo que só fazem algum sentido dentro do contexto social. E, em muitos casos, tratam-se de uma contradição aos instintos humanos.

A violência, portanto, é proveniente da "libertação" destes instintos. Cria-se, a partir de então, um sentimento contraditório, de desejo e repulsa pela violência. Isto explica a citação de Dostoiévski, que conhecemos como verdadeira e chocante pelo senso-comum: “Há um estranho sentimento de satisfação que as pessoas não deixam de experimentar à vista da inesperada desgraça alheia, e do qual nenhum homem escapa, apesar do mais sincero sentimento de compaixão e simpatia” (2)


Referências:

(1) Dobzhansky, T. G. O Homem em Evolução. Editora da USP, SãoPaulo, 1968.

(2) Dostoievski, F. M. Crime e Castigo. Editora Martin Claret, São Paulo, 2007.

(3) Futuyma, D. J. Biologia Evolutiva. 2ª. Edição. Editora da SBG/CNPq, Ribeirão Preto, 1992.

(4) Lewin, R. Evolução Humana. Editora Atheneu, São Paulo, 1999.